A Justiça de São Paulo decidiu tornar o deputado estadual Lucas Bove réu em um novo processo criminal relacionado à Cíntia Chagas, sua ex-esposa. Desta vez, a acusação envolve o descumprimento de medidas protetivas determinadas anteriormente no contexto de uma ação por violência doméstica.
De acordo com a decisão judicial, o parlamentar é investigado por dez episódios em que teria desrespeitado ordens impostas pela Justiça, como restrições de contato e aproximação. O juiz responsável pelo caso entendeu que há elementos suficientes para dar continuidade à ação penal, rejeitando pedidos da defesa para encerrar o processo nesta fase inicial.
As audiências de instrução e julgamento foram agendadas para outubro, após o primeiro turno das eleições. O cronograma prevê a oitiva da vítima e das testemunhas de acusação, seguida pelos depoimentos da defesa e, por fim, o interrogatório do réu. O processo tramita na Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher na capital paulista.
Paralelamente, Lucas Bove já responde a outra ação criminal, na qual é acusado de violência doméstica, psicológica e perseguição contra Cíntia Chagas. Nesse caso, ainda não há data definida para julgamento. A Justiça também determinou o pagamento de multa por descumprimento de decisões anteriores, como a proibição de mencionar publicamente a ex-companheira.
O Ministério Público chegou a solicitar a prisão preventiva do deputado, mas o pedido foi negado. Ele segue respondendo aos processos em liberdade. Caso seja condenado por violar medidas protetivas, a pena pode variar de três meses a dois anos de detenção.
O caso ganhou repercussão também no âmbito político. No ano passado, uma representação contra o parlamentar por suposta quebra de decoro foi analisada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, mas acabou arquivada.
Por meio de sua defesa, Lucas Bove nega as acusações e afirma que não houve irregularidades. Os advogados sustentam que o deputado confia na Justiça e pretende comprovar sua inocência ao longo do processo. Já a defesa de Cíntia Chagas considera a abertura da ação um passo relevante e defende uma análise rigorosa das provas.