Enel tem nota cortada e vê incerteza crescer sobre operação em SP

Cenário regulatório e financeiro aumenta pressão sobre concessionária paulista

Empresa enfrenta questionamentos após apagões e queda de desempenho (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A avaliação de risco da Enel Americas sofreu um rebaixamento nesta segunda-feira, 27 de abril, após decisão da agência internacional Moody’s. O corte na nota reflete, principalmente, a preocupação do mercado com a possibilidade de a empresa perder a concessão de distribuição de energia em São Paulo.

A nota passou de Baa2 para Baa3, permanecendo no grau de investimento, mas já na faixa considerada mais sensível para investidores. A perspectiva negativa indica que novos rebaixamentos não estão descartados caso o cenário regulatório e operacional continue se deteriorando.

De acordo com a agência, o movimento está diretamente ligado à abertura de um processo pela Agência Nacional de Energia Elétrica que pode resultar na caducidade do contrato da Enel Distribuição São Paulo. Na prática, isso significa a possibilidade de encerramento antecipado da concessão antes do prazo previsto.

A iniciativa da Aneel foi motivada por falhas recorrentes no fornecimento de energia, incluindo apagões de grande proporção registrados nos últimos anos. Um dos episódios mais graves ocorreu em dezembro, quando milhões de consumidores ficaram sem luz por longos períodos na região metropolitana.

O relatório da Moody’s também destaca a suspensão da análise de renovação antecipada do contrato da empresa no estado, fator que aumenta a incerteza sobre sua permanência em São Paulo. Para a agência, a sequência de interrupções, especialmente em períodos de eventos climáticos extremos, contribui para o enfraquecimento da confiança na operação.

A concessão paulista é considerada o principal ativo da operação da Enel no Brasil, representando uma fatia significativa de seu resultado financeiro global. Além de São Paulo, a companhia também atua em outros estados brasileiros, como Ceará e Rio de Janeiro, que igualmente enfrentam processos regulatórios e incertezas sobre renovação contratual.

Outro ponto citado pela agência é a necessidade de altos investimentos para modernização da rede elétrica. A estimativa é de aportes anuais de até US$ 3 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 15 bilhões, para reduzir falhas e melhorar a qualidade do serviço.

No cenário interno, a Enel São Paulo tem enfrentado desempenho abaixo da média entre distribuidoras do país. Em avaliações recentes da Aneel, a empresa ficou entre as últimas colocadas no ranking de qualidade, que considera a frequência e a duração das interrupções de energia.

A companhia atende mais de 8 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo. Até o momento, não houve manifestação oficial da empresa sobre o rebaixamento.