STF investiga emendas ligadas à produtora de filme sobre Bolsonaro

Parlamentares do PL são alvo de questionamentos sobre repasses para entidades associadas à produção audiovisual

Investigação analisa destino de recursos públicos enviados a projetos culturais ligados ao filme Dark Horse (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O Supremo Tribunal Federal passou a apurar a destinação de emendas parlamentares enviadas por deputados do PL a entidades ligadas à produtora responsável pelo filme Dark Horse, obra inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação é conduzida pelo ministro Flávio Dino, que solicitou esclarecimentos sobre possíveis irregularidades no uso de recursos públicos.

O foco da apuração envolve verbas destinadas à Academia Nacional de Cultura, entidade presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, também associada à produtora Go Up Entertainment. A empresa é responsável pela realização do longa-metragem previsto para chegar aos cinemas às vésperas das eleições deste ano.

A ação teve origem em uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral, que questionou a relação entre as emendas parlamentares e projetos culturais vinculados ao grupo empresarial. Segundo a parlamentar, a estrutura formada por organizações e empresas ligadas à mesma direção poderia dificultar a rastreabilidade da aplicação dos recursos públicos.

Entre os nomes citados estão os deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon, todos do Partido Liberal. De acordo com os autos, oficiais de Justiça tentam há mais de um mês notificar Mário Frias para que ele apresente informações ao STF. As diligências ocorreram no gabinete do deputado, em Brasília, mas assessores informaram que o parlamentar estava em São Paulo em compromissos políticos.

Marcos Pollon confirmou ter indicado R$ 1 milhão para um projeto documental chamado Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem. O deputado afirmou, porém, que a proposta não avançou por questões técnicas e que os recursos foram posteriormente redirecionados ao Hospital de Amor, em Barretos, no interior paulista.

Bia Kicis também reconheceu ter destinado recursos para o mesmo projeto audiovisual, mas negou qualquer relação entre as verbas indicadas e o filme Dark Horse. A deputada afirmou que a iniciativa tinha finalidade cultural e de incentivo ao setor audiovisual.

A discussão ganhou novos desdobramentos após a divulgação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Conversas reveladas nesta semana apontam pedidos de apoio financeiro para a produção do longa. Os diálogos citam dificuldades no fluxo de caixa do projeto e a necessidade de novos aportes.

Em resposta, Mário Frias declarou que o filme foi produzido exclusivamente com capital privado e negou qualquer participação financeira do Banco Master ou de Daniel Vorcaro na obra. O ex-secretário de Cultura também afirmou que o projeto possui padrão internacional de produção e será lançado nos próximos meses.

Enquanto isso, o STF segue reunindo documentos e manifestações dos envolvidos para avaliar se houve irregularidade na destinação das emendas parlamentares e eventual uso indireto de verba pública em projetos de natureza política e audiovisual.