A fabricante Ypê informou que vai suspender temporariamente o ressarcimento a consumidores após a nova deliberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desta sexta-feira, 15 de maio.
Em reunião, a agência manteve a proibição de fabricação, venda, distribuição e uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca que tenham lotes terminados em número 1. No entanto, a Anvisa retirou a exigência de recolhimento imediato desses produtos, determinando que a empresa apresente previamente um plano de ação antes de qualquer retirada em larga escala do mercado.
Com isso, a Ypê afirmou que o processo de reembolso, que vinha sendo oferecido por meio de um canal no site da empresa com pagamento via Pix, será interrompido por enquanto. A companhia informou que só deve retomar esse tipo de compensação após a conclusão de novos laudos técnicos.
Segundo a empresa, a decisão mais recente da Anvisa não estabelece obrigação de ressarcimento neste momento, já que o foco atual está na suspensão de uso dos produtos e na análise de novos testes que serão apresentados.
A fabricante também propôs que laboratórios independentes, autorizados pela agência, realizem novas análises em todos os lotes já distribuídos no mercado. O objetivo é comprovar a segurança dos itens e tentar liberar novamente a comercialização.
O caso ganhou repercussão após investigações apontarem a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos de limpeza da marca. As apurações tiveram início a partir de denúncias feitas pela concorrente Unilever e levaram a fiscalizações da Anvisa, que identificaram falhas no processo produtivo e a existência de lotes possivelmente contaminados.
Durante a vistoria, a agência citou a identificação de mais de cem lotes relacionados ao problema. A empresa afirma que esses produtos teriam sido apresentados internamente durante a fiscalização como parte de seu processo de controle e segregação de itens fora do padrão, que posteriormente seriam descartados.
Em nota, a Ypê reforçou que seus controles internos indicam que os produtos são seguros para consumo e que, até o momento, não há registros de acidentes relacionados ao uso dos itens sob suspeita. A companhia também destacou que segue em diálogo com a Anvisa para esclarecer os pontos técnicos e retomar a normalidade da operação.
Enquanto isso, a orientação permanece para que consumidores não utilizem produtos com lote final 1, que devem ser mantidos guardados até a conclusão das novas análises.