Brasileiros relatam violência e insegurança em faculdades de Medicina no Paraguai

Denúncias incluem casos de estupro, sequestro, extorsão e desaparecimentos envolvendo estudantes na região de fronteira

Imagem: Reprodução

O Paraguai se transformou nos últimos anos em um dos principais destinos de brasileiros que desejam cursar Medicina. A promessa de mensalidades mais acessíveis e vestibulares menos concorridos atrai milhares de jovens para cidades como Ciudad del Este, Pedro Juan Caballero e Assunção.

Mas por trás da esperança do diploma médico, cresce um cenário cada vez mais preocupante.

Relatos obtidos por estudantes, familiares, autoridades diplomáticas e veículos de imprensa apontam que muitos brasileiros estão vivendo situações de extrema vulnerabilidade em território paraguaio. As denúncias envolvem estupros, sequestros, desaparecimentos, extorsões, ameaças, violência física, corrupção e medo constante.

Uma das denúncias mais graves envolve uma estudante brasileira de Medicina que teria sido colocada à força dentro de um carro após passar o dia na universidade. Segundo relatos obtidos pela reportagem, a jovem teria sido mantida sob ameaça de morte e obrigada a sofrer violência sexual coletiva durante horas.

A estudante teria permanecido machucada por mais de um mês após o episódio, convivendo com medo, traumas e receio de denunciar os agressores.

O caso ainda não teve confirmação oficial pública das autoridades paraguaias, mas relatos semelhantes passaram a circular entre estudantes brasileiros que vivem na região de fronteira, ampliando o clima de terror e insegurança entre jovens que estudam no país.

Alunas brasileiras relatam medo constante de circular sozinhas, principalmente no período noturno.

O desaparecimento do estudante brasileiro Ricardo Castro Rocha, de 25 anos, também ajudou a aumentar a tensão entre brasileiros que vivem no Paraguai. O jovem, que estudava Medicina, desapareceu em circunstâncias ainda investigadas. O caso mobilizou autoridades brasileiras e paraguaias e chegou a levantar suspeitas de tráfico humano. (noticias.r7.com)

Familiares relataram desespero diante da dificuldade para obter respostas rápidas sobre o paradeiro do estudante.

Casos de sequestro também passaram a fazer parte da rotina de medo enfrentada por estudantes brasileiros. Em Ciudad del Este, duas estudantes brasileiras de Medicina foram sequestradas dentro do apartamento onde moravam. Segundo a polícia paraguaia, as vítimas foram amarradas enquanto criminosos exigiam dinheiro das famílias no Brasil. (h2foz.com.br)

Além disso, estudantes brasileiros também denunciam extorsões envolvendo agentes públicos paraguaios e cobranças ilegais para emissão de documentos acadêmicos e migratórios. (h2foz.com.br)

Grande parte das universidades frequentadas por brasileiros está localizada em regiões historicamente marcadas pela atuação de narcotráfico, contrabando, facções criminosas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Especialistas em segurança alertam que muitos jovens chegam ao Paraguai sem conhecer os riscos reais da região e acabam vivendo em áreas dominadas pela criminalidade.

A combinação entre juventude, distância da família, vulnerabilidade financeira e desconhecimento da realidade local acaba transformando muitos estudantes em alvos fáceis.

Documentos diplomáticos obtidos por jornalistas mostram que consulados brasileiros já manifestaram preocupação com as condições enfrentadas por estudantes de Medicina no Paraguai e em outros países da América Latina. Os relatos incluem precariedade estrutural, violência urbana, insegurança, pressão psicológica e ausência de suporte adequado aos estudantes brasileiros. (fiquemsabendo.com.br)

Apesar de existirem universidades sérias e estudantes que conseguem concluir a graduação sem problemas, o aumento desenfreado da procura por cursos de Medicina no Paraguai abriu espaço para uma realidade paralela marcada pelo medo.

Especialistas alertam que muitas famílias brasileiras acabam enxergando apenas o custo reduzido da graduação e ignorando os riscos sociais, estruturais e de segurança presentes em determinadas regiões do país vizinho.

O sonho da Medicina continua atraindo milhares de brasileiros todos os anos. Mas para muitos estudantes, o jaleco branco acabou sendo substituído pelo medo, pela insegurança e por histórias que mais parecem roteiro de terror.