O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou nesta terça-feira (7) de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e pediu que o governo norte-americano não avance com a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em discurso realizado em inglês, o parlamentar afirmou que este seria o “pior momento possível” para a adoção da medida e sustentou que a decisão poderia beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Flávio, o Brasil atravessa um período de intensa movimentação política por causa das eleições presidenciais previstas para outubro. Na avaliação do senador, uma eventual taxação de produtos brasileiros teria efeitos econômicos difíceis de reverter e acabaria fortalecendo o atual governo em vez de pressioná-lo.
Durante a apresentação, o parlamentar também pediu que as autoridades americanas optem pelo diálogo e descartem a aplicação das tarifas adicionais. Ele defendeu que eventuais sanções sejam direcionadas a indivíduos específicos, caso esse seja o objetivo das autoridades dos Estados Unidos, e não ao comércio entre os dois países.
A audiência faz parte da consulta pública conduzida pelo USTR antes da decisão sobre possíveis restrições comerciais ao Brasil. O prazo para a definição da política tarifária termina em 15 de julho. Flávio participou do evento por iniciativa própria, após solicitar espaço para falar, e sua atuação não representa oficialmente o governo brasileiro.
Em outro momento do pronunciamento, o senador criticou o presidente Lula, citou casos de corrupção envolvendo governos anteriores e afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos PIX representa um avanço para a economia brasileira e também beneficia empresas americanas que operam no país.
Enquanto Flávio discursava nos Estados Unidos, o governo brasileiro manteve a estratégia de responder tecnicamente à investigação conduzida pelo USTR. Em documento encaminhado às autoridades americanas, o Itamaraty contestou as acusações de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos EUA e argumentou que temas como o PIX e decisões do Supremo Tribunal Federal não possuem natureza comercial.
Após a audiência, o senador voltou a criticar a ausência de representantes do governo federal entre os participantes que fizeram exposições no evento. Segundo ele, empresários e representantes do setor produtivo estiveram presentes para defender os interesses brasileiros, enquanto integrantes do Executivo acompanharam os debates apenas como observadores.