EUA revogam mais de 175 mil vistos durante governo Trump

Departamento de Estado afirma que a maior parte dos cancelamentos ocorreu após abordagens policiais; crimes como agressão, roubo e direção sob efeito de álcool ou drogas estão entre os principais motivos

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O governo dos Estados Unidos revogou mais de 175 mil vistos de estrangeiros desde o início do atual mandato do presidente Donald Trump, segundo dados divulgados pelo Departamento de Estado nesta segunda-feira (10).

De acordo com a pasta, grande parte dos cancelamentos ocorreu depois de estrangeiros terem algum tipo de contato com autoridades policiais. Entre os motivos mais citados estão acusações ou registros relacionados a agressão, direção sob efeito de álcool ou drogas, roubo e crimes envolvendo entorpecentes.

O Departamento de Estado afirmou que a medida também atingiu pessoas que teriam descumprido as condições estabelecidas para permanência nos Estados Unidos, cometido crimes, praticado fraudes ou apresentado riscos considerados relevantes para a segurança nacional.

Entre os episódios mencionados pelo governo estão casos envolvendo acusações de estupro e agressão sexual, sequestro e tráfico de pessoas. Também foi citado o caso de uma pessoa investigada por mais de uma dezena de acusações relacionadas à posse de material de abuso sexual infantil.

A administração Trump informou ainda que cancelou vistos de estrangeiros que teriam feito comentários favoráveis à morte do ativista conservador Charlie Kirk. Segundo o governo, uma das pessoas atingidas teria afirmado que o ativista “morreu tarde demais”.

Medidas ampliam fiscalização migratória

O número divulgado pelo Departamento de Estado ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias adotadas pelo governo Trump. Desde o início do novo mandato, autoridades americanas vêm ampliando medidas de controle sobre estrangeiros que entram ou permanecem no país.

Uma das iniciativas anunciadas recentemente envolve a exigência de garantias financeiras para determinados solicitantes de vistos de turismo e negócios. O programa, inicialmente implementado em caráter experimental, passou a ser tratado como uma medida permanente pelo governo americano.

A regra permite que funcionários consulares determinem o pagamento de uma caução de até US$ 20 mil como condição para a emissão de determinados vistos B1 e B2. O objetivo declarado é reduzir casos de permanência além do período autorizado.

O Brasil não está entre os países incluídos na medida.

Programa alcança 50 países

A exigência de caução é direcionada a cidadãos de 50 países, principalmente da África, além de nações da Ásia, América Latina, Caribe e Oceania.

Entre os países incluídos estão Angola, Argélia, Bangladesh, Cuba, Etiópia, Gâmbia, Gana, Moçambique, Nigéria, Senegal, Venezuela, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.

O valor da garantia pode chegar a US$ 20 mil e será definido individualmente por funcionários consulares durante a análise do pedido de visto.

Segundo o Departamento de Estado, a experiência realizada anteriormente forneceu informações consideradas suficientes para indicar que a caução pode funcionar como instrumento adicional de fiscalização.

Governo cita risco de permanência irregular

A justificativa apresentada pelas autoridades americanas está relacionada ao número de estrangeiros que permanecem no território dos Estados Unidos depois do vencimento do período autorizado.

O governo também aponta problemas relacionados ao compartilhamento de informações com autoridades americanas, à verificação de identidade e antecedentes criminais e à segurança dos documentos apresentados durante os processos de solicitação de visto.

A administração Trump afirma que a garantia financeira busca incentivar os visitantes a cumprir o período autorizado de permanência e deixar o país dentro do prazo estabelecido.

As novas medidas fazem parte de uma política mais ampla de controle migratório adotada pelo governo americano, que combina fiscalização de estrangeiros, revisão de vistos e mecanismos destinados a reduzir a permanência irregular no país.