Prefeito de Presidente Kennedy protege secretário acusado de espancar servidora

Dorlei Fontão, que cumpre mandato sub judice, é investigado pelo MP por supostamente proteger o secretário Washington Paixão Dias, acusado de agredir violentamente uma servidora. Paixão foi detido pela Polícia Rodoviária Federal com R$ 172,5 mil em espécie e uma arma

Foto: Arquivo

O prefeito de Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo, Dorlei Fontão (PSB), é alvo de investigação do Ministério Público sob suspeita de prevaricação. Ele é acusado de interferir diretamente em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para proteger o secretário de Serviços Públicos, Washington Paixão Dias, que foi punido com 30 dias de suspensão do cargo por agredir a servidora pública Gleide Rodrigues.

De acordo com a apuração, a Comissão de Processo Administrativo Disciplinar do município aplicou a sanção ao secretário, mas Fontão determinou a suspensão da punição, contrariando a decisão do colegiado. A conduta do prefeito é investigada como possível crime de prevaricação, quando um agente público retarda ou deixa de praticar ato de ofício para atender a interesse pessoal.

Valentão contra mulher

O caso ganha contornos ainda mais graves diante do histórico de Washington Paixão Dias. O secretário foi detido pela Polícia Rodoviária Federal por porte ilegal de arma e posse de R$ 172,5 mil em espécie, além de um revólver calibre 38. Apesar da gravidade das acusações, ele responde aos processos em liberdade.

Mandato tumultuado

O cenário político em Presidente Kennedy é marcado por instabilidade. Dorlei Fontão venceu as eleições municipais de 2024 com 55,40% dos votos válidos, o equivalente a 6.158 votos, mas sua diplomação foi anulada pela Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entende que o candidato busca um terceiro mandato consecutivo como prefeito, o que é proibido pela legislação.

Fontão já havia assumido a Prefeitura em 2019, como vice, após o afastamento da então prefeita Amanda Quinta Rangel, suspeita de envolvimento em esquema de fraude em licitações e pagamento de propina. Em 2020, ele foi reeleito e agora tenta, na Justiça, garantir o direito de permanecer novamente no cargo.

A cidade, que tem 13.696 habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE, aguarda uma decisão do TSE sobre o futuro político do prefeito. Caso o recurso de Fontão não seja aceito e a chapa seja integralmente indeferida, uma nova eleição poderá ser convocada.

Denúncia e reação

A servidora Gleide Rodrigues, apontada como vítima da agressão que motivou o Processo Administrativo Disciplinar contra o secretário, é uma das vozes que cobram transparência na apuração.

O Ministério Público do Espírito Santo não divulgou detalhes sobre o andamento da investigação, mas uma fonte confirmou que o órgão apura a conduta do prefeito por possível interferência no processo disciplinar. O caso é mais um capítulo da conturbada gestão da cidade, que já enfrentou intervenção judicial em 2012, após a prisão do então prefeito Reginaldo Quinta por suspeita de fraudes em licitações e desvio de R$ 50 milhões dos cofres públicos.

Histórico complicado

A política no pequeno município de Presidente Kennedy ganhou repercussão nacional depois que Gilbert Wagner Lopes, conhecido como Waguinho Batman, foi preso sob acusação de envolvimento com milicianos do Rio de Janeiro e de participação no assassinato do vereador Adilson Costa Longa.

Militar da Força Aérea Brasileira, Waguinho Batman exerce influência na política local e já foi citado como “amigo” pelo senador Marcos Do Val (Avante-ES), que nega a amizade.