Fundada a partir da visão criativa de Hector Albertazzi, que iniciou sua jornada no universo da joalheria em 1983, a marca Hector Albertazzi consolidou-se como uma das principais referências em acessórios de luxo no Brasil. Reconhecida pelo design autoral, pela produção artesanal e pelos acabamentos exclusivos, construiu, ao longo de mais de quatro décadas, uma identidade que une arte, moda e inovação.
Desde 2020, Marcelo Albertazzi, filho do fundador, ocupa a direção criativa da grife. Arquiteto de formação, ele cresceu acompanhando de perto a história da empresa e, hoje, conduz um novo momento da marca, preservando o legado construído pelo pai enquanto incorpora novas referências.
Em conversa com a Revista Poder, Marcelo Albertazzi fala sobre a responsabilidade de dar continuidade ao legado familiar, sua visão criativa, o equilíbrio entre tradição e inovação e os caminhos que enxerga para o futuro do negócio.
Como foi crescer acompanhando a trajetória da Hector Albertazzi e de que forma essa vivência moldou sua relação com a marca?
Desde muito criança, tive contato com esse universo do qual a marca faz parte. Lembro muito bem de quando acompanhava meu pai no centro de São Paulo, visitando os diferentes ateliês de ourivesaria, onde ele, na época, produzia as joias que comercializava.
Quando meus pais deram o salto das joias para os acessórios de luxo, nada mudou em relação às técnicas e aos processos que haviam desenvolvido ao longo de anos. Desde que montaram a primeira fábrica própria em um prédio comercial no centro, em frente ao antigo Mappin, eu estava sempre presente, acompanhando de perto o que era feito e como todo esse trabalho era desenvolvido.
Com o passar dos anos, a estrutura cresceu, e tive o privilégio de ver tudo isso se moldando e evoluindo até chegarmos ao ponto em que estamos hoje. Isso, com certeza, me deu uma bagagem para chegar à marca e carregar comigo o DNA construído ao longo desses mais de 17 anos.
O que significa assumir a direção criativa de uma marca fundada pelo seu pai? Como equilibra o respeito ao legado com a vontade de imprimir sua própria visão?
Assumir a direção criativa de qualquer marca é um grande desafio. O ponto essencial é sempre ter respeito e admiração por sua história e por sua caminhada. Acredito que toda nova proposta deva levar em consideração os tantos signos e significados já construídos ao longo dessa trajetória, valorizando o que já foi feito, ao mesmo tempo em que propõe algo novo, oxigenando a marca e trazendo novas ideias e, consequentemente, novas percepções sobre ela.
Sua formação em arquitetura influencia o design das peças? Quais referências mais atravessam seu processo criativo?
Acredito que a sensibilidade do olhar seja uma das ferramentas mais importantes para a vida e para o design como um todo. Desde sempre, tive o entendimento de que minha formação em arquitetura serviu como um aprendizado do olhar, muito mais do que como um curso técnico em que se aprende a calcular estruturas.
Me formei pela Escola da Cidade, onde as questões conceituais da arquitetura e do design são discutidas constantemente, sempre a partir de uma perspectiva social e política. Isso moldou meu senso crítico e a maneira como enxergo o mundo.
Para a criação de uma campanha, coleção ou até mesmo uma estratégia de negócios, trago comigo essas ferramentas que aprendi tanto no universo acadêmico quanto na convivência com meus pais, unindo-as às referências que chegam até mim das mais diferentes maneiras. Seja em uma viagem, em um museu, em um encontro com os amigos ou em uma ida à feira do Bixiga, que, inclusive, é um dos meus programas favoritos de domingo.
Nos últimos anos, a marca ampliou sua presença em desfiles, colaborações e projetos especiais. Qual o papel dessas iniciativas para aproximá-la de novos públicos?
Desde os primeiros passos da Hector Albertazzi, esse tipo de colaboração com as mais diversas marcas fez parte da trajetória e ajudou a moldar seu posicionamento no mercado. Sempre que um estilista vinha com desenhos “malucos” e os apresentava para meu pai, ele nunca dizia: “Isso não tem como ser feito”. Ele sempre pensava em como aquilo poderia ser desenvolvido e o que seria necessário para viabilizar aquela visão, sabendo que cada desafio agregaria novas técnicas e formas de produzir.
A mídia e o reconhecimento eram, portanto, uma decorrência do trabalho realizado com excelência.
Quais os planos para o futuro da Hector Albertazzi e como você imagina essa evolução?
A percepção que sempre tive da Hector Albertazzi é de que ela tem potencial para ser uma marca internacional consagrada. Esse é o futuro que venho construindo desde que assumi a direção criativa da marca.
Apesar de “estourar a bolha” ser um grande desafio, acreditamos que a consistência e a constância nos levarão ao resultado que buscamos. Assim, embora estejamos apenas em nosso segundo ano de internacionalização, já enxergamos esse movimento como uma das frentes de maior crescimento para nós nos próximos cinco anos.