Lula acusa Mendonça de usar cargo para ‘fazer política’ no caso Master

Presidente afirma que ministro usava controle exclusivo sobre celular de Vorcaro para fazer 'denúncia seletiva' no STF

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (17) que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, teria se aproveitado da função para atuar politicamente durante a condução das investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em entrevista à rádio Itatiaia, o petista defendeu que as informações extraídas do celular de Vorcaro sejam tornadas públicas para que a sociedade tenha acesso à totalidade dos fatos apurados.

Segundo Lula, o controle exclusivo que Mendonça mantinha sobre o conteúdo do aparelho permitia que ele decidisse sozinho o que seria divulgado, em um movimento que o presidente classificou como seletivo. Para o petista, essa dinâmica mudou a partir do momento em que os dados passaram a ser compartilhados com outros gabinetes da Corte, incluindo os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, o que, na avaliação dele, deve permitir que informações relevantes finalmente cheguem ao conhecimento público.

Mendonça assumiu a relatoria do caso Master em fevereiro deste ano, após a saída do ministro Dias Toffoli da condução das investigações. Nesta segunda-feira (14), a Polícia Federal confirmou o repasse de cópias dos dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero, aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. O material reúne as mensagens que embasaram o relatório utilizado por Mendonça para solicitar a abertura de investigação contra Moraes.

Lula defende julgamento conjunto

Durante a entrevista, o presidente também comentou o andamento do processo que discute a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, alvo de um relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro ao ministro. Para Lula, os casos envolvendo Moraes e Mendonça deveriam ser analisados pela Corte em uma mesma sessão, de forma a garantir tratamento equilibrado entre os envolvidos.

O presidente defendeu que o STF esclareça de uma só vez todas as dúvidas relacionadas ao caso, incluindo eventuais ligações de outros nomes como o ministro Luiz Fux e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo ele, não seria correto julgar um dos envolvidos antes das eleições e deixar os demais para depois, já que a Corte teria em mãos todo o material necessário para dar transparência ao processo.

Lula ainda reforçou que o STF precisa manter sua credibilidade perante a sociedade, destacando que, por ser a instância máxima do país e não permitir recurso, a Corte deveria adotar postura ainda mais rigorosa do que a exigida do restante da sociedade.

Novos desdobramentos no caso Master

A declaração do presidente ocorre em meio a uma sequência de novidades relacionadas às investigações. Nesta quinta-feira, o ministro Flávio Dino informou ter identificado possíveis vínculos entre Daniel Vorcaro e uma concessionária de cemitérios, determinando o envio dessas informações à Polícia Federal para aprofundar a apuração. No mesmo dia, a corporação intimou Vorcaro e seu pai para prestar depoimento sobre o caso.

Ainda nesta quinta, André Mendonça se pronunciou publicamente sobre as acusações, afirmando não temer as repercussões do episódio e negando qualquer irregularidade ou motivação política em sua atuação como relator.

Em meio à tensão que se instalou na Corte, o presidente em exercício do STF, Edson Fachin, decidiu cancelar uma sessão do tribunal e adiar o julgamento relacionado a Mendonça, decisão tomada após dias de atritos entre ministros e novos capítulos revelados nas investigações do caso Master.