Comandante da PM de Marataízes é acusado de assédio e perseguição contra subordinada

Relatos de policiais apontam privilégios, retaliação após recusa e desgaste com a tropa

Denúncias que circulam nos bastidores da Polícia Militar capixaba colocam sob suspeita o coronel Vitor Gallo, comandante da PM em Marataízes.

Segundo relatos de policiais ouvidos pela reportagem, o oficial teria praticado assédio, abuso de poder e perseguição contra uma subordinada.

As queixas também descrevem um ambiente de tensão entre o comandante e a tropa.

Os privilégios

De acordo com fontes da corporação, o coronel e a cabo [Fulana] teriam mantido um relacionamento íntimo.

Nesse período, segundo os relatos, a policial teria desfrutado de regalias incomuns na PM: faltava ao serviço com frequência e, mesmo assim, não sofria punição disciplinar, o que indicaria o uso do cargo para protegê-la.

Em um dos episódios relatados, o coronel teria chegado a montar uma escala de serviço exclusiva para a cabo.

O tratamento diferenciado, segundo policiais, revoltou colegas de farda e chamou a atenção de setores internos da corporação.

De protegida a perseguida

O cenário teria mudado quando a cabo decidiu se afastar e passou a recusar as investidas do oficial.

A partir da recusa, segundo as fontes, a proteção deu lugar à perseguição.

De acordo com os relatos, a policial passou a sofrer pressão constante e retaliações no ambiente de trabalho, o que configuraria assédio moral.

O desgaste teria comprometido sua saúde, e ela acabou afastada das funções para tratamento médico.

Pessoas próximas afirmam que ela tem medo do coronel.

Desgaste com a tropa

Os relatos não se limitam à cabo.

Policiais do batalhão descrevem um ambiente de intimidação e cobranças consideradas excessivas, e afirmam que o comandante enfrenta forte rejeição entre os subordinados.

Fontes da PM afirmam que haveria fotos, vídeos e outros registros sobre a relação entre os dois e o período de favorecimento.

A reportagem não teve acesso a esse material.

Até o momento, as denúncias não foram formalizadas em procedimento público conhecido pela reportagem.

Outro lado

A reportagem procurou o coronel Vitor Gallo e a cabo, mas nenhum dos dois se manifestou até a publicação.

O espaço segue aberto para posicionamento.

Por Jota Ribeiro