O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou nesta quinta-feira (29) a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. O documento, publicado depois da chegada do parlamentar aos Estados Unidos, questiona o resultado da votação e apresenta acusações de fraude sem provas.
“Não gostei”, declarou Valdemar a jornalistas, antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Segundo informações do jornal O Globo, o dirigente também afirmou que pretende atualizar o ex-presidente sobre os últimos acontecimentos políticos.
A reação expõe divergências dentro do PL sobre a postura de Flávio após o segundo turno, realizado no domingo (25). Enquanto o senador insiste em contestar a eleição, integrantes da legenda defendem o reconhecimento do resultado e a reorganização da oposição ao governo Lula.
Carta passou por alterações após repercussão
Na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro divulgou uma carta na qual se apresentava inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de ter perdido a disputa presidencial.
Após a repercussão, o documento passou por alterações. Em uma nova versão, o senador substituiu a expressão por “líder do Brasil”, mantendo, porém, as acusações de irregularidades eleitorais.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, atribuiu a mudança a um erro na elaboração do texto. Além disso, afirmou que não existem provas capazes de sustentar uma acusação de fraude nas eleições.
Na carta, Flávio também agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento após sua saída do Brasil.
CARTA À NAÇÃO BRASILEIRA 🇧🇷
28.10.26 https://t.co/QqOGZuF8G0— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 28, 2026
Saída do Brasil surpreendeu integrantes do PL
A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos também provocou desconforto entre aliados políticos.
O senador deixou o Brasil na terça-feira (27), atravessou a fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular. Após uma escala no Equador, chegou a Miami na manhã de quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas.
A saída ocorreu depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes à Polícia Federal.
Segundo a reportagem, integrantes do PL não receberam informações antecipadas sobre a viagem. A decisão surpreendeu parte da legenda, já que Flávio havia sinalizado que permaneceria no país para assumir a liderança da oposição.
Agora, o senador afirma que pretende exercer esse papel a partir dos Estados Unidos e promete apresentar uma estratégia de mobilização política nos próximos dias.
TSE defende legitimidade das eleições
As declarações de Flávio Bolsonaro também provocaram reações de outras legendas. União Brasil e MDB defenderam o respeito ao resultado das urnas, enquanto o próprio PL já havia reconhecido a vitória de Lula.
No segundo turno, o presidente recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O senador questionou, entre outros pontos, a decisão judicial que prorrogou o horário de votação até as 19h em determinadas situações.
Entretanto, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h. O número é muito inferior à diferença entre os dois candidatos.
Após a divulgação da carta, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, publicou uma manifestação em defesa da legitimidade do processo eleitoral.
Sem mencionar diretamente Flávio Bolsonaro, o magistrado destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade dos eleitores. Também afirmou que eventuais questionamentos apresentados pelos meios legais serão analisados pelas instituições competentes.
Divergências marcam reorganização da oposição
O episódio ocorre em um momento de articulações políticas após a reeleição de Lula.
Parte dos aliados de Flávio defende que o senador reconheça a derrota e concentre seus esforços na construção de uma oposição ao novo mandato presidencial.
Por outro lado, o parlamentar mantém o discurso de contestação e sustenta que sua permanência nos Estados Unidos permitirá uma atuação política mais ativa.
A manifestação de Valdemar Costa Neto evidencia as dificuldades enfrentadas pelo PL para estabelecer uma estratégia comum após as eleições. Ao mesmo tempo, amplia o debate sobre os próximos passos da legenda e o papel de Flávio Bolsonaro na oposição.
Fonte: O Globo. Informações também divulgadas por Reuters e Folha de S.Paulo.