Crise no 16º BPM: sob novo comando, Marataízes registra três assassinatos em menos de um mês e enfrenta debandada de policiais

Coronel Vitor Gallo, comandada 16⁰ Batalhão da PM de Marataízes

Por Jota Ribeiro

Conhecido historicamente pelos baixos índices de homicídios e pela rotina operacional estável, o 16º Batalhão de Polícia Militar do Espírito Santo (16º BPM), sediado em Marataízes, atravessa uma crise sem precedentes na segurança pública local. A onda de insatisfação interna e o aumento dos índices criminais coincidem com a chegada do novo comandante, o tenente-coronel Vítor Galo, e com as reestruturações promovidas por sua gestão.

Segundo relatos de policiais e dados apurados junto à tropa, o comandante promoveu uma ampla reorganização interna — classificada informalmente pelos militares como um “mexidão”. Entre as medidas adotadas estão a redução de cerca de metade do contingente da Força Tática, tropa de elite responsável pelo patrulhamento ostensivo de alto risco, e o remanejamento de militares do setor administrativo e do policiamento de trânsito para o patrulhamento comunitário e setores operacionais em que não tinham histórico de atuação.

Relatos apontam ainda aumento da carga horária, com exigência de atuação diária, e alterações frequentes de turnos sem o devido planejamento.

Reflexos nas ruas

Os efeitos das mudanças estruturais e operacionais já são sentidos pela população. A região, que costumava registrar taxa mínima de crimes violentos letais intencionais, contabilizou três homicídios em menos de um mês — patamar que não era atingido há anos na unidade.

Além dos crimes contra a vida, policiais militares apontam aumento expressivo nas ocorrências de furtos e roubos a residências e comércios na área de cobertura do batalhão.

“A tropa está desmotivada e sobrecarregada. Mexeram na espinha dorsal da ostensividade do batalhão sem critérios claros, e o resultado do enfraquecimento do patrulhamento especializado está nas ruas”, relatou, sob anonimato, um integrante da unidade.

Assédio

A crise no 16º BPM ultrapassa os índices de criminalidade e atinge o clima organizacional da tropa. Há relatos de graves denúncias de assédio moral e perseguição interna contra praças e oficiais que questionam as diretrizes adotadas.

Diante do ambiente de trabalho conturbado e da rotina de sobrecarga, diversos militares têm solicitado transferência voluntária para outras unidades do Estado. Muitos preferem encarar o deslocamento diário até batalhões distantes de suas residências a permanecer sob o comando atual.

Procurada, a assessoria do 16º BPM não se manifestou até a conclusão desta reportagem. O espaço segue aberto para eventual posicionamento.