Anvisa aprova Wegovy em comprimido e abre nova opção para tratamento da obesidade no Brasil

Primeira versão oral de semaglutida autorizada no país para controle do peso apresentou redução média de 13,6% em estudo clínico

Foto: Reprodução/Novo Nordisk/G1

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a versão em comprimido do Wegovy, medicamento desenvolvido pela farmacêutica Novo Nordisk para o tratamento da obesidade e do sobrepeso. A autorização, divulgada nesta quarta-feira (4), representa uma nova alternativa para pacientes que precisam de tratamento medicamentoso para controle do peso.

O comprimido contém semaglutida, mesmo princípio ativo utilizado na versão injetável do Wegovy, administrada semanalmente. A principal diferença está na forma de aplicação: enquanto a caneta exige uma injeção por semana, a nova apresentação é tomada por via oral, diariamente.

A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União, após um pedido de registro apresentado pela fabricante em 30 de janeiro de 2026.

Apesar da autorização, o medicamento ainda não está disponível nas farmácias brasileiras. Segundo a Novo Nordisk, a previsão é que a comercialização comece no próximo trimestre, mas não há uma data exata de lançamento nem preço anunciado.

Estudo aponta perda média de 13,6% do peso corporal

Um dos principais dados que fundamentaram a aprovação veio de um estudo clínico publicado na revista científica The New England Journal of Medicine.

A pesquisa mostrou que os participantes tratados com semaglutida oral apresentaram uma redução média de 13,6% do peso corporal ao longo de 64 semanas.

Entre aqueles que receberam placebo, substância sem o princípio ativo do medicamento, a perda média foi de 2,2% no mesmo período.

Os resultados indicam uma diferença expressiva entre os grupos e demonstram a eficácia da formulação oral nas condições avaliadas pela pesquisa.

De acordo com os pesquisadores, a redução de peso observada com o comprimido se aproxima dos resultados obtidos com a versão injetável do Wegovy. Isso não significa, porém, que todos os pacientes terão a mesma resposta ao tratamento.

Como funciona o Wegovy em comprimido

A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, medicamentos que reproduzem parte da ação de um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições.

Esse mecanismo atua sobre áreas do cérebro relacionadas ao apetite, ajudando a reduzir a fome e aumentar a sensação de saciedade. A substância também retarda o esvaziamento do estômago, contribuindo para que a pessoa se sinta satisfeita por mais tempo.

Na apresentação oral, a dose de manutenção informada é de 25 mg por dia, enquanto a caneta semanal utiliza 2,4 mg.

A diferença ocorre porque a absorção da semaglutida pelo sistema digestivo é limitada. Parte da substância não chega à circulação sanguínea, o que exige uma quantidade maior na formulação oral.

As doses não são diretamente equivalentes, e a troca entre apresentações deve ser avaliada pelo médico.

Qual é a diferença entre Wegovy e Rybelsus?

Embora o Wegovy seja a primeira apresentação oral de semaglutida aprovada no Brasil especificamente para o tratamento da obesidade, ele não é o primeiro comprimido com esse princípio ativo disponível no país.

A Novo Nordisk também fabrica o Rybelsus, medicamento oral à base de semaglutida indicado para o tratamento do diabetes tipo 2.

A principal diferença está na indicação aprovada para cada produto, além das apresentações e dos esquemas de tratamento.

O novo Wegovy amplia as opções terapêuticas para pessoas com obesidade ou sobrepeso que atendam aos critérios médicos para o uso do medicamento.

Medicamento exige prescrição e acompanhamento médico

Apesar dos resultados apresentados nos estudos, a semaglutida não deve ser utilizada sem orientação profissional.

O tratamento pode provocar efeitos adversos, principalmente gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação intestinal. A avaliação médica também é necessária para identificar contraindicações e definir o acompanhamento adequado.

O uso do medicamento deve fazer parte de uma estratégia de cuidado que considere alimentação, atividade física e outras necessidades individuais do paciente.

Com a aprovação da Anvisa, o Brasil passa a contar com uma nova possibilidade de tratamento farmacológico da obesidade. A chegada efetiva às farmácias, entretanto, ainda dependerá dos próximos passos comerciais e regulatórios.