Brasil defende saída eleitoral para crise política na Venezuela

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A política externa brasileira deveria concentrar seus esforços na defesa de uma solução eleitoral para a crise aberta na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. A avaliação é de um ex-integrante do alto escalão diplomático do país, que defende que apenas a realização de um novo pleito pode devolver estabilidade institucional ao território venezuelano.

Embora o governo brasileiro tenha condenado a ação militar norte-americana e reconhecido a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe interina do Executivo, não houve, até o momento, uma manifestação oficial sobre a necessidade de convocação de eleições. Para críticos dessa postura, a ausência de um posicionamento mais claro enfraquece o papel histórico do Brasil como mediador político na América do Sul.

A Constituição venezuelana prevê a convocação de eleições em até 90 dias em caso de vacância da Presidência, mecanismo que não foi acionado. A posse interina da vice-presidente ocorreu sem o reconhecimento formal de que o cargo máximo do Executivo está vago, o que amplia a insegurança jurídica e política no país.

Na avaliação de especialistas em relações internacionais, uma transição baseada em eleições amplas, com participação de diferentes correntes políticas e observação internacional, é a única alternativa capaz de restaurar a legitimidade do poder na Venezuela. A experiência de processos eleitorais em contextos de ruptura institucional é apontada como referência para uma reconstrução democrática.

Nesse cenário, cresce a pressão para que o Brasil adote uma postura mais ativa, utilizando sua influência diplomática para estimular uma solução negociada que respeite a soberania venezuelana e devolva à população o direito de escolher seus representantes.