EUA revogam mais de 100 mil vistos sob política migratória endurecida de Trump

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O governo dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira que mais de 100 mil vistos foram revogados desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. O número, considerado recorde pelas autoridades americanas, marca uma intensificação significativa da política migratória adotada pelo presidente, baseada em deportações em larga escala e critérios mais rigorosos para permanência de estrangeiros no país.

Segundo o Departamento de Estado, a medida faz parte de uma ampla ofensiva para reforçar a segurança interna. Entre os vistos cancelados estão milhares de autorizações concedidas a estudantes e profissionais especializados, além de estrangeiros que tiveram registros de ocorrências policiais em território americano.

As autoridades afirmam que as principais razões para a revogação incluem permanência irregular após o vencimento do visto, condução de veículos sob efeito de álcool, agressões e crimes patrimoniais. O volume de cancelamentos representa um aumento expressivo em relação ao ano anterior, superando em mais de uma vez e meia os números registrados em 2024.

Como parte da nova estratégia, o Departamento de Estado criou um Centro de Verificação Contínua, destinado a monitorar o comportamento de estrangeiros que já se encontram nos Estados Unidos. O objetivo é identificar rapidamente situações consideradas de risco e revogar autorizações de permanência sempre que houver descumprimento das leis locais ou ameaça à segurança pública.

O endurecimento também atingiu o processo de concessão de vistos. Diplomatas americanos receberam orientações para ampliar a triagem de candidatos, incluindo análises mais profundas de redes sociais e do histórico de ativismo político. A diretriz é identificar perfis que o governo considere hostis aos interesses dos Estados Unidos antes mesmo da entrada no país.

Integrantes da administração Trump afirmam ainda que estudantes estrangeiros e residentes permanentes com autorização legal podem ser deportados caso adotem posições vistas como contrárias à política externa americana. Manifestações de apoio à causa palestina e críticas às ações de Israel na guerra em Gaza passaram a ser tratadas pelo governo como potenciais ameaças diplomáticas e de segurança.

A política tem gerado reações de organizações civis e de defesa dos direitos humanos, que alertam para o risco de criminalização de opiniões políticas e para o impacto da medida sobre comunidades estrangeiras. Ainda assim, o governo reforça que a prioridade é manter um controle rígido das fronteiras e da permanência de estrangeiros no país.