Entre economia e experiência: Tendências para o turismo rodoviário em 2026

Para Caio Thomaz, CEO da Quero Passagem, crescimento do setor reflete consumidor mais estratégico, digital e atento ao custo-benefício

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Com a virada do ano, o setor de turismo volta os olhos para os próximos movimentos do mercado. Para Caio Thomaz, CEO da Quero Passagem, entender o comportamento do viajante é essencial para projetar o futuro do transporte rodoviário — um segmento que vem ganhando protagonismo no Brasil.

Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram a força desse avanço. Em 2024, as viagens interestaduais de ônibus chegaram a 43,6 milhões, alta de 24,9% em relação a 2023. Na prática, foram cerca de 9 milhões de passageiros a mais em apenas um ano.

Segundo Thomaz, esse crescimento reflete a recuperação econômica, a renovação da frota com mais conforto e tecnologia e, principalmente, a busca por modais mais acessíveis. A partir desse cenário, algumas tendências devem ganhar força ao longo de 2026.

Turismo rodoviário como alternativa estratégica

O ônibus deixa de ser visto apenas como opção de menor custo e passa a ocupar espaço como escolha inteligente. O viajante considera deslocamentos diretos, maior capilaridade das rotas e acesso a destinos regionais pouco atendidos por outros modais.

Valorização das viagens curtas

Roteiros de fim de semana e deslocamentos entre cidades próximas seguem em alta. A praticidade e a redescoberta do turismo regional impulsionam esse movimento, que tende a se consolidar nos próximos anos.

Caio Thomaz – Foto Divulgação

Flexibilidade como prioridade

Datas maleáveis, compra online, variedade de horários e autonomia no planejamento influenciam diretamente a decisão de compra. O consumidor quer adaptar a viagem à própria rotina — e não o contrário.

Experiência digital e mais conforto

A digitalização avança no transporte rodoviário. Bilhetes eletrônicos, aplicativos e integração com serviços de hospedagem tornam a jornada mais fluida. Além disso, terminais e empresas investem em conforto: áreas climatizadas, Wi-Fi, carregadores e espaços de espera mais funcionais passam a fazer parte da expectativa do passageiro.

Bem-estar no centro da decisão

Viajar também é cuidado. Jornadas menos estressantes, ambientes mais confortáveis e deslocamentos mais tranquilos influenciam a escolha do modal. O transporte passa a integrar a experiência de descanso e saúde mental.

Sustentabilidade e turismo local

A preocupação ambiental ganha relevância. Por transportar mais pessoas por viagem, o ônibus se posiciona como alternativa mais eficiente do ponto de vista ambiental. Paralelamente, cresce o interesse por destinos culturais, históricos e regionais, fortalecendo o turismo de base local.

Para Caio Thomaz, o fortalecimento do turismo rodoviário não é um movimento pontual, mas estrutural. Até 2026, o setor deve seguir evoluindo ao lado de um consumidor mais consciente, digital e atento às suas necessidades reais.