Durante participação na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de um modelo de governança global da tecnologia liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O encontro integra o chamado Processo de Bletchley, série de reuniões intergovernamentais iniciada em 2023, no Reino Unido, com foco em segurança e regulação da inteligência artificial.
Multilateralismo e tecnologia
Em seu discurso, Lula afirmou que a Quarta Revolução Industrial avança em ritmo acelerado enquanto o multilateralismo enfrenta retrocessos. Nesse cenário, segundo ele, a governança da IA assume caráter estratégico.
O presidente reconheceu iniciativas internacionais já em curso, como a proposta chinesa de criação de uma organização voltada à cooperação em IA entre países em desenvolvimento e a Parceria Global em Inteligência Artificial, discutida no âmbito do G7. Ainda assim, ressaltou que nenhum desses fóruns substitui a universalidade da ONU para estruturar uma governança verdadeiramente multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento.
Oportunidades e riscos
Lula destacou que a inteligência artificial pode impulsionar a produtividade industrial, modernizar serviços públicos e ampliar avanços na medicina, na segurança alimentar e na área energética.
Por outro lado, alertou para riscos concretos, como a disseminação de discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil e violência de gênero. Também chamou atenção para o uso de conteúdos falsos manipulados por IA que podem comprometer processos eleitorais e ameaçar a democracia.
Segundo o presidente, algoritmos não são apenas códigos matemáticos neutros, mas instrumentos que influenciam profundamente o ambiente digital e a vida social.
Defesa da diversidade e soberania
Ao concluir, Lula afirmou que o Brasil defende uma governança que reconheça as diferentes trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países.
A participação na cúpula ocorre em meio à agenda diplomática do governo brasileiro na Índia, que também inclui discussões sobre cooperação em áreas estratégicas como saúde e produção de medicamentos.
Fonte: Agência Brasil