Novas tarifas globais de Trump: o que muda após decisão da Suprema Corte

Foto: Reprodução/Instagram

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a elevação das tarifas globais de importação para 15%, poucas horas depois de a Suprema Corte considerar ilegais parte das taxas impostas no ano passado.

A decisão abre um novo capítulo na política comercial americana e gera incertezas para empresas, consumidores e parceiros internacionais — incluindo o Brasil.

O que são tarifas e como funcionam?

Tarifas são impostos cobrados sobre produtos importados.
Na prática, elas aumentam o custo de mercadorias estrangeiras.

  • Produto custa US$ 10
  • Tarifa de 10% adiciona US$ 1
  • Valor final sobe para US$ 11
  • O importador paga o imposto ao governo. Depois, pode repassar esse custo ao consumidor ou absorvê-lo parcialmente.
  • Trump sustenta que as tarifas:
  • Incentivam a produção doméstica
  • Reduzem o déficit comercial
  • Aumentam a arrecadação do governo
  • Críticos, porém, alertam para:
  • Aumento de preços
  • Pressão inflacionária
  • Impactos negativos na economia global

Por que a Suprema Corte derrubou parte das tarifas?

Na sexta-feira (20), a Suprema Corte decidiu, por 6 votos a 3, que Trump excedeu sua autoridade ao usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977.

Segundo os ministros, cabe ao Congresso — e não ao presidente — criar novos impostos.

As tarifas baseadas nessa lei haviam gerado cerca de US$ 130 bilhões em arrecadação. Agora, surge a possibilidade de reembolsos, tema que ainda deve ser decidido na Justiça.

Importante:
A decisão não afeta todas as tarifas. Permanecem válidas, por exemplo, as taxas setoriais sobre aço, alumínio e automóveis, aplicadas sob argumento de segurança nacional.

Como Trump reagiu?

Horas após o julgamento, Trump anunciou novas tarifas globais, desta vez com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.

Inicialmente, a taxa seria de 10%.
No dia seguinte, ele elevou o percentual para 15%.

Essa legislação permite tarifas temporárias por até 150 dias. Depois disso, o Congresso deve intervir — embora especialistas apontem brechas para contornar essa limitação.

A Casa Branca afirma que a medida busca:

  • Reequilibrar o comércio americano
  • Enfrentar problemas no sistema de pagamentos internacionais
  • Compensar a perda das tarifas consideradas ilegais

Haverá devolução do dinheiro arrecadado?

A Suprema Corte não determinou se os valores cobrados deverão ser devolvidos.

Empresas já começaram a pedir reembolso. Mais de mil pedidos foram protocolados antes mesmo da decisão final.

Autoridades democratas defendem restituição direta aos consumidores. No entanto, o governo avalia que eventuais devoluções podem se arrastar por anos na Justiça.

Quais tarifas estão valendo agora?

As novas tarifas globais entram em vigor com exceções.

Estão isentos, por exemplo:

  • Certos minerais críticos
  • Produtos energéticos
  • Medicamentos
  • Eletrônicos
  • Aeronaves
  • Alguns automóveis
  • Livros e materiais informativos
  • Produtos cobertos pelo acordo comercial entre EUA, México e Canadá (USMCA) seguem isentos.
  • Já a isenção para mercadorias de até US$ 800 foi encerrada.

E o Brasil, como fica?

O Brasil já vinha enfrentando oscilações tarifárias desde 2025.

Após um período de tarifas de 10%, houve aumento para 50% em meio a tensões políticas. Posteriormente, parte dessas taxas foi revista após negociações entre Trump e Lula.

Com a decisão da Suprema Corte, as tarifas amplas aplicadas desde abril de 2025 foram derrubadas. Porém:

  • Permanecem tarifas sobre aço e alumínio
  • Ainda não está claro como a nova tarifa global de 15% afetará as exportações brasileiras
  • Setores como agronegócio, energia e indústria aeronáutica aguardam definições.

O que acontece agora?

O cenário permanece instável.

A nova tarifa global pode:

  • Ser questionada judicialmente
  • Sofrer pressão do Congresso
  • Gerar retaliações comerciais
  • Além disso, a possibilidade de reembolsos abre outra frente jurídica.

Enquanto isso, empresas reavaliam cadeias de produção e consumidores monitoram possíveis impactos nos preços.

A política comercial americana entra, mais uma vez, em fase de transição — com efeitos que ultrapassam as fronteiras dos Estados Unidos.

 

Fonte: Globo