O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a elevação das tarifas globais de importação para 15%, poucas horas depois de a Suprema Corte considerar ilegais parte das taxas impostas no ano passado.
A decisão abre um novo capítulo na política comercial americana e gera incertezas para empresas, consumidores e parceiros internacionais — incluindo o Brasil.
O que são tarifas e como funcionam?
Tarifas são impostos cobrados sobre produtos importados.
Na prática, elas aumentam o custo de mercadorias estrangeiras.
- Produto custa US$ 10
- Tarifa de 10% adiciona US$ 1
- Valor final sobe para US$ 11
- O importador paga o imposto ao governo. Depois, pode repassar esse custo ao consumidor ou absorvê-lo parcialmente.
- Trump sustenta que as tarifas:
- Incentivam a produção doméstica
- Reduzem o déficit comercial
- Aumentam a arrecadação do governo
- Críticos, porém, alertam para:
- Aumento de preços
- Pressão inflacionária
- Impactos negativos na economia global
Por que a Suprema Corte derrubou parte das tarifas?
Na sexta-feira (20), a Suprema Corte decidiu, por 6 votos a 3, que Trump excedeu sua autoridade ao usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977.
Segundo os ministros, cabe ao Congresso — e não ao presidente — criar novos impostos.
As tarifas baseadas nessa lei haviam gerado cerca de US$ 130 bilhões em arrecadação. Agora, surge a possibilidade de reembolsos, tema que ainda deve ser decidido na Justiça.
Importante:
A decisão não afeta todas as tarifas. Permanecem válidas, por exemplo, as taxas setoriais sobre aço, alumínio e automóveis, aplicadas sob argumento de segurança nacional.
Como Trump reagiu?
Horas após o julgamento, Trump anunciou novas tarifas globais, desta vez com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
Inicialmente, a taxa seria de 10%.
No dia seguinte, ele elevou o percentual para 15%.
Essa legislação permite tarifas temporárias por até 150 dias. Depois disso, o Congresso deve intervir — embora especialistas apontem brechas para contornar essa limitação.
A Casa Branca afirma que a medida busca:
- Reequilibrar o comércio americano
- Enfrentar problemas no sistema de pagamentos internacionais
- Compensar a perda das tarifas consideradas ilegais
Haverá devolução do dinheiro arrecadado?
A Suprema Corte não determinou se os valores cobrados deverão ser devolvidos.
Empresas já começaram a pedir reembolso. Mais de mil pedidos foram protocolados antes mesmo da decisão final.
Autoridades democratas defendem restituição direta aos consumidores. No entanto, o governo avalia que eventuais devoluções podem se arrastar por anos na Justiça.
Quais tarifas estão valendo agora?
As novas tarifas globais entram em vigor com exceções.
Estão isentos, por exemplo:
- Certos minerais críticos
- Produtos energéticos
- Medicamentos
- Eletrônicos
- Aeronaves
- Alguns automóveis
- Livros e materiais informativos
- Produtos cobertos pelo acordo comercial entre EUA, México e Canadá (USMCA) seguem isentos.
- Já a isenção para mercadorias de até US$ 800 foi encerrada.
E o Brasil, como fica?
O Brasil já vinha enfrentando oscilações tarifárias desde 2025.
Após um período de tarifas de 10%, houve aumento para 50% em meio a tensões políticas. Posteriormente, parte dessas taxas foi revista após negociações entre Trump e Lula.
Com a decisão da Suprema Corte, as tarifas amplas aplicadas desde abril de 2025 foram derrubadas. Porém:
- Permanecem tarifas sobre aço e alumínio
- Ainda não está claro como a nova tarifa global de 15% afetará as exportações brasileiras
- Setores como agronegócio, energia e indústria aeronáutica aguardam definições.
O que acontece agora?
O cenário permanece instável.
A nova tarifa global pode:
- Ser questionada judicialmente
- Sofrer pressão do Congresso
- Gerar retaliações comerciais
- Além disso, a possibilidade de reembolsos abre outra frente jurídica.
Enquanto isso, empresas reavaliam cadeias de produção e consumidores monitoram possíveis impactos nos preços.
A política comercial americana entra, mais uma vez, em fase de transição — com efeitos que ultrapassam as fronteiras dos Estados Unidos.
Fonte: Globo