Um levantamento preliminar aponta que os Correios acumularam um resultado negativo de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O valor, ainda sujeito a revisão, representa uma piora significativa em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o prejuízo havia sido cerca de metade disso.
Os dados constam em um balancete interno, documento que apresenta uma visão provisória das finanças da empresa. Até o momento, não há previsão para a divulgação oficial dos números, que seguem em fase de consolidação.
A diferença entre receitas e despesas ajuda a explicar o cenário. Enquanto a arrecadação permaneceu praticamente estável na comparação anual, os gastos avançaram de forma relevante. A empresa registrou cerca de R$ 4 bilhões em receitas no período, ao passo que as despesas ultrapassaram R$ 7 bilhões.
O aumento dos custos foi puxado principalmente por despesas financeiras e provisões, que incluem perdas judiciais. Os gastos com juros, multas e encargos tiveram forte expansão, influenciados por operações de crédito realizadas recentemente. Também houve crescimento expressivo nas reservas para cobrir possíveis decisões judiciais desfavoráveis.
Por outro lado, os custos com pessoal, historicamente um dos principais itens da estrutura da estatal, apresentaram variação moderada, com leve alta em relação ao ano anterior.
No campo das receitas, a maior pressão veio da queda nas operações internacionais. O envio de encomendas do exterior gerou menos receita nos primeiros meses do ano, dando continuidade a um movimento observado desde mudanças recentes nas regras de importação. Esse tipo de serviço, que já teve peso relevante no faturamento, perdeu espaço nos últimos anos.
Outros segmentos ajudaram a compensar parcialmente essa retração. A área de logística apresentou crescimento expressivo, assim como serviços de conveniência e transporte de documentos. Ainda assim, o avanço não foi suficiente para equilibrar o resultado geral.
O desempenho financeiro do início de 2026 se soma a um histórico recente de resultados negativos. A estatal encerrou o ano passado com prejuízo elevado e uma sequência prolongada de trimestres no vermelho, o que reforça os desafios estruturais enfrentados pela empresa em meio às mudanças no setor de entregas e à pressão por eficiência operacional.