Lula critica uso de IA em campanhas eleitorais

Presidente afirma que não pretende utilizar ferramentas de inteligência artificial durante a disputa eleitoral de 2026

Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que é favorável às restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral ao uso de inteligência artificial nas campanhas de 2026. Durante agenda oficial em Camaçari, na Bahia, o petista declarou que não pretende recorrer à tecnologia para impulsionar sua participação eleitoral.

A fala ocorreu durante a entrega de unidades do programa habitacional Minha Casa Minha Vida. Ao comentar as novas regras definidas pelo TSE, Lula disse que o uso de ferramentas capazes de reproduzir imagens e discursos artificiais pode comprometer a transparência do processo democrático.

Segundo o presidente, a inteligência artificial possui aplicações importantes em áreas como saúde, educação e inovação tecnológica, mas o uso da ferramenta em campanhas políticas levanta preocupações relacionadas à desinformação e à manipulação de conteúdo.

Durante o discurso, Lula mencionou a possibilidade de criação de imagens virtuais capazes de simular sua presença em diferentes estados ao mesmo tempo. Para ele, esse tipo de recurso pode afastar o eleitor daquilo que chamou de contato verdadeiro entre candidato e população.

As declarações ocorreram poucos dias após o Tribunal Superior Eleitoral aprovar uma resolução com novas regras para propaganda eleitoral nas eleições de 2026. A norma estabelece restrições para conteúdos produzidos com inteligência artificial nos dias que antecedem a votação.

Pelas regras aprovadas, fica proibida a divulgação de novos materiais sintéticos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas anteriores ao pleito e nas 24 horas posteriores à eleição. O texto também prevê medidas contra plataformas digitais que descumprirem as determinações da Justiça Eleitoral.

Além disso, a resolução impede que empresas de inteligência artificial utilizem mecanismos para favorecer ou priorizar candidatos, partidos, coligações ou campanhas políticas em sistemas de recomendação e distribuição de conteúdo.

O debate sobre o uso de IA no ambiente eleitoral ganhou força nos últimos meses após o aumento da circulação de vídeos manipulados digitalmente e conteúdos produzidos por ferramentas automatizadas nas redes sociais.