O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (18), em Campinas (SP), que o Brasil pretende ampliar o mapeamento e a exploração de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a indústria global de tecnologia e energia. Durante evento no acelerador de partículas Sirius, o petista disse que o país poderá firmar parcerias com diferentes nações interessadas no setor, incluindo os Estados Unidos, desde que os interesses nacionais sejam respeitados.
Ao comentar o cenário internacional marcado pela disputa econômica entre Estados Unidos e China, Lula declarou esperar uma aproximação voltada à cooperação econômica em torno dos recursos minerais brasileiros. Segundo ele, o Brasil não pretende restringir negociações a um grupo específico de países.
O presidente destacou que o país está disposto a dialogar com investidores e governos estrangeiros, como chineses, americanos, alemães, franceses e japoneses, mas reforçou que o controle sobre os recursos naturais continuará sob domínio brasileiro.
As declarações ocorrem em meio ao crescente interesse internacional pelas chamadas terras raras, grupo de minerais essenciais para a fabricação de baterias, semicondutores, equipamentos eletrônicos, turbinas e tecnologias ligadas à transição energética. O Brasil possui uma das maiores reservas do mundo, mas ainda enfrenta desafios relacionados ao processamento industrial e à cadeia de produção.
Durante o discurso, Lula também defendeu maior investimento em pesquisa científica para acelerar o conhecimento sobre o potencial mineral do território nacional. Segundo ele, o país ainda conhece apenas parte significativa das reservas existentes e precisa avançar em tecnologia para tornar a exploração mais eficiente.
O governo federal vem discutindo modelos de desenvolvimento para o setor mineral que priorizem não apenas a extração, mas também a industrialização dentro do território brasileiro. A intenção é ampliar a geração de empregos, estimular inovação tecnológica e reduzir a dependência da exportação de matéria-prima sem valor agregado.
Nos últimos meses, o debate sobre minerais críticos ganhou força diante da disputa global por recursos estratégicos utilizados em setores de alta tecnologia. Países como Estados Unidos e China intensificaram investimentos e acordos internacionais voltados à garantia de abastecimento dessas matérias-primas.
Além da pauta mineral, Lula também comentou temas ligados à educação e ao mercado de trabalho. O presidente afirmou que a formação profissional no país não deve seguir apenas interesses econômicos e citou a área da medicina ao defender políticas voltadas às necessidades sociais e ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde.