Banco Central eleva projeção de crescimento do PIB para 2% em 2026 e vê inflação pressionada no curto prazo

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O Banco Central revisou para cima sua expectativa para o desempenho da economia brasileira em 2026. Segundo o Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (25), a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 2%, refletindo principalmente o resultado acima do esperado no primeiro trimestre e a melhora nas perspectivas para setores como agropecuária e indústria extrativa.

Entre janeiro e março deste ano, o PIB brasileiro avançou 1,1% em relação ao trimestre anterior, impulsionado pelo crescimento da agropecuária, da indústria e dos serviços. Diante desse cenário, o Banco Central também revisou para cima as estimativas de consumo das famílias, investimentos privados e demanda interna.

Segundo a autoridade monetária, o ambiente continua favorecido por estímulos fiscais e pela expansão do crédito. No entanto, a instituição ressalta que a trajetória dos juros ainda limita um crescimento mais acelerado da atividade econômica.

Inflação ainda preocupa

Apesar da melhora nas projeções para o PIB, o Banco Central avalia que a inflação seguirá pressionada ao longo de 2026. A expectativa é de que o índice permaneça acima do teto da meta por mais de dois trimestres consecutivos antes de iniciar um movimento de desaceleração em 2027.

A probabilidade de a inflação ultrapassar o limite de 4,5% neste ano subiu significativamente em relação ao relatório anterior, passando de 30% para 79%.

Entre os fatores que pressionam os preços estão a alta do petróleo, dos combustíveis, das commodities e dos alimentos, além da elevação das expectativas inflacionárias. Por outro lado, a redução gradual da taxa Selic e a valorização do câmbio ajudam a conter parte desse impacto.

Juros seguem em trajetória de queda

Após atingir 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas, a taxa Selic iniciou um ciclo de redução em março. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central promoveu o terceiro corte consecutivo, reduzindo a taxa para 14,25% ao ano.

Mesmo assim, a instituição destaca que o cenário internacional permanece cercado de incertezas. Os conflitos no Oriente Médio continuam influenciando os preços de combustíveis e alimentos e podem afetar o ritmo de crescimento da economia brasileira.

Crédito mantém expansão moderada

O Banco Central manteve em 9% a projeção de crescimento do crédito total em 2026. A estimativa considera uma desaceleração nas operações com recursos livres, compensada pelo avanço do crédito direcionado, especialmente para empresas.

Entre os programas que contribuem para esse cenário estão iniciativas do governo voltadas ao financiamento de micro e pequenas empresas, além de linhas destinadas ao setor habitacional, infraestrutura e agronegócio.

Apesar desse avanço, a expectativa é de que o crédito continue desacelerando pelo segundo ano consecutivo, acompanhando os efeitos da política monetária e do elevado nível de endividamento das famílias.

Contas externas apresentam melhora

O relatório também revisou para baixo a previsão de déficit nas transações correntes, que passou de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões em 2026, equivalente a 2,1% do PIB.

A melhora decorre principalmente do desempenho das exportações, impulsionadas pela valorização internacional do petróleo, da soja e da carne bovina. Ao mesmo tempo, o Banco Central projeta uma entrada de US$ 75 bilhões em investimentos diretos no país, suficiente para financiar o déficit externo.

Ainda assim, a instituição alerta que o cenário internacional continua sendo um fator de risco, especialmente diante das incertezas provocadas pelos conflitos geopolíticos e seus impactos sobre os mercados globais.

Fonte: Agencia Brasil