O governo federal avalia que os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos podem enfrentar uma nova elevação tarifária nas próximas semanas. A preocupação está ligada ao encerramento de uma investigação conduzida pelas autoridades comerciais americanas sobre o combate ao trabalho forçado, cujo resultado pode impor uma sobretaxa adicional de 12,5% às mercadorias brasileiras.
Se a nova cobrança for aplicada de forma cumulativa à tarifa de 25% já anunciada pelos Estados Unidos, a carga total poderá chegar a 37,5%. A definição deve ocorrer até o fim de julho e é acompanhada de perto pelo Palácio do Planalto e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, a principal incerteza é justamente saber se a eventual nova tarifa será somada à sobretaxa já confirmada ou se substituirá parte das medidas comerciais em vigor. A expectativa do governo brasileiro é de que a decisão seja divulgada após a conclusão do processo conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
A nova investigação faz parte de uma ofensiva comercial americana voltada a países que, na avaliação de Washington, não possuem mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. O relatório divulgado pelos EUA inclui cerca de 60 economias, entre elas o Brasil.
De acordo com o governo norte-americano, o país ainda não dispõe de instrumentos considerados eficazes para impedir, na prática, a entrada de mercadorias produzidas nessas condições. A avaliação levou à proposta de uma tarifa adicional de 12,5% para as nações enquadradas nesse grupo.
O processo utiliza como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a mesma legislação empregada pelos Estados Unidos para fundamentar outras medidas comerciais recentes. Pela regra proposta, países que possuem acordos específicos ou mecanismos parciais de controle poderiam receber uma sobretaxa menor, de 10%, enquanto o Brasil integra a lista sujeita ao percentual mais elevado.
Nos bastidores, integrantes da equipe econômica acompanham a evolução das negociações e trabalham para esclarecer os efeitos da decisão antes da entrada em vigor das novas medidas. A preocupação é reduzir possíveis impactos sobre as exportações brasileiras e evitar prejuízos a setores que dependem do mercado americano.