O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou publicamente sobre as investigações que envolvem seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmando que ele precisará comprovar sua inocência diante da Justiça. A fala aconteceu durante entrevista concedida à Record TV, na qual o petista defendeu que qualquer pessoa que aja de forma irregular deve responder por seus atos, independentemente de laços familiares com o Palácio do Planalto.
Segundo Lula, a conduta correta deve valer para todos, sem exceções, e ele reforçou não se opor ao andamento de investigações nem interferir na atuação de ministros ou órgãos responsáveis pela apuração de possíveis irregularidades.
Atualmente, Fábio Luís é alvo de três inquéritos distintos, todos relacionados a suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo empresas que mantêm relação com o governo federal.
Na entrevista, o presidente reforçou que o tratamento dado ao caso do filho não será diferente do aplicado a qualquer outro cidadão. Ele afirmou que, caso tenha cometido algum erro, Fábio Luís será julgado como qualquer pessoa, podendo ser punido ou absolvido conforme o resultado das investigações, e que caberá a ele demonstrar sua inocência perante a Justiça.
A entrevista foi gravada na manhã deste domingo, no Palácio da Alvorada, e tem exibição prevista para a noite deste mesmo dia, dentro do programa Domingo Espetacular, a partir das 20h30. O horário de exibição coincide com o primeiro debate entre candidatos à Presidência, promovido pela TV Band. Lula, assim como os pré-candidatos Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, confirmou que não participará do confronto direto entre os presidenciáveis.
As investigações contra Fábio Luís foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal no final de julho. Dois dos inquéritos estão sob relatoria do ministro André Mendonça, enquanto o terceiro é conduzido pelo ministro Flávio Dino. O filho do presidente nega qualquer envolvimento em atos ilícitos.
O nome de Fábio Luís passou a ser associado às apurações após a revelação de sua proximidade com a lobista Roberta Luchsinger, alvo, em dezembro do ano passado, da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas a benefícios do INSS. Na ocasião, o celular da empresária foi apreendido pelas autoridades.
Nesta semana, vieram à tona mensagens e trechos de relatórios produzidos pela Polícia Federal a partir da perícia realizada no aparelho de Roberta. O conteúdo aponta para uma possível articulação entre ela e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A Polícia Federal investiga se haveria uma conexão entre os três nomes voltada à tentativa de influenciar decisões do governo federal. Tanto Roberta quanto Marcola negam qualquer tipo de irregularidade.