Fed sobe juros nos EUA pela primeira vez em três anos, puxado pela alta do petróleo

Decisão unânime eleva juros para a faixa de 3,75% a 4% ao ano e reforça preocupação do Fed com a inflação persistente

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O Federal Reserve, banco central norte-americano, elevou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, levando o patamar para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão, tomada de forma unânime pelo comitê de política monetária, marca a primeira alta em mais de três anos, desde julho de 2023, e encerra um ciclo de cinco reuniões seguidas sem mudanças na taxa.

Entre os fatores que pesaram na escolha do Fed está a escalada no preço do petróleo, impulsionada pelo agravamento das tensões no Oriente Médio, o que acendeu um sinal de alerta adicional sobre a trajetória da inflação americana.

Em comunicado oficial, o Comitê Federal de Mercado Aberto afirmou que a economia dos Estados Unidos continua se expandindo em ritmo consistente, com os gastos das famílias se mostrando resistentes mesmo diante da incerteza gerada por eventos geopolíticos recentes. Segundo o colegiado, a decisão levou em conta o duplo objetivo da instituição, que é manter a inflação sob controle sem comprometer o nível de emprego no país. As novas projeções do Fed indicam que a maior parte dos dirigentes espera ao menos mais um aumento de 0,25 ponto ao longo de 2026.

Essa foi a décima quarta decisão de política monetária desde que Donald Trump retornou à Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, período marcado por instabilidade econômica provocada por conflitos como o confronto entre americanos e iranianos, além da disputa comercial promovida pelo próprio republicano por meio de tarifas.

O encontro também representou a terceira reunião conduzida por Kevin Warsh à frente do Fed. Indicado por Trump, Warsh assumiu oficialmente o cargo em maio deste ano, após meses de desgaste entre o presidente americano e o antecessor no comando da instituição, Jerome Powell, alvo de críticas públicas do republicano por manter os juros em patamares elevados.

Warsh defende independência da instituição

Durante coletiva de imprensa após o anúncio, Warsh foi questionado sobre as pressões de Trump por juros mais baixos, histórico que incluiu ofensas do presidente ao ex-dirigente do banco central. Em resposta breve, o atual presidente do Fed afirmou que a instituição segue focada em suas atribuições e destacou que a independência do órgão funciona em via de mão dupla.

Warsh também reconheceu que a inflação segue resistente e reafirmou que os números seguem acima do patamar considerado ideal. Segundo ele, os dados observados entre junho e setembro não mostraram melhora consistente nas tendências mais persistentes de preços, o que justificou a manutenção de uma postura mais cautelosa por parte do comitê.

Em agosto, o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos acumulou alta de 3,4% em 12 meses, patamar ainda distante da meta de 2% perseguida pela autoridade monetária americana. De acordo com Warsh, o número elevado de categorias de preços com inflação acima de 3%, tanto em janelas de seis quanto de doze meses, reforçou a avaliação de que as condições ainda não permitem uma reversão da política de juros mais restritiva.

O dirigente também destacou que a economia americana dá sinais de fortalecimento, avaliação compartilhada pelos demais membros do comitê.

Justificativa do Fomc

No comunicado que acompanhou a decisão, o Fomc ressaltou que a produtividade da economia segue em trajetória de crescimento sólido, com os investimentos empresariais mantendo ritmo robusto. O colegiado também observou que a geração de empregos tem acompanhado a expansão da força de trabalho, enquanto a taxa de desemprego permanece praticamente estável.

Em agosto, a economia americana criou 162 mil novas vagas, número consideravelmente superior às 21 mil registradas em julho, enquanto o desemprego se manteve em 4,1%, segundo dados do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Para o comitê, a alta de 0,25 ponto percentual deve contribuir para acelerar o retorno da inflação à meta estabelecida pela instituição.

Reflexos no Brasil

A manutenção de juros elevados nos Estados Unidos tende a valorizar os títulos públicos americanos, os chamados Treasuries, considerados um dos investimentos mais seguros do mundo. Com retornos mais atrativos, esses papéis costumam atrair capital estrangeiro, fortalecendo o dólar frente a outras moedas.

Esse movimento, por sua vez, tende a reduzir o fluxo de investimentos estrangeiros direcionados ao Brasil, pressionando a desvalorização do real. A alta do dólar, nesse contexto, também contribui para elevar as pressões inflacionárias no país, o que reforça a tendência de manutenção de juros altos por parte do Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro.

Mesmo diante do cenário externo mais apertado, a expectativa do mercado é de que o Copom promova um corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira, levando a taxa básica brasileira de 14% para 13,75% ao ano. A decisão está prevista para ser anunciada às 18h30, em um momento no qual a inflação brasileira ainda se mantém dentro da margem de tolerância da meta oficial.