Ministério da Saúde pede análise da Conitec para incluir canetas emagrecedoras no SUS

Pedido inclui liraglutida e semaglutida, cujos preços caíram cerca de 70% em menos de um ano; chegada aos pacientes ainda depende de recomendação favorável, definição do público e financiamento

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Ministério da Saúde protocolou, nesta quinta-feira (24), um pedido para que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avalie a inclusão de medicamentos à base de liraglutida e semaglutida no tratamento da obesidade na rede pública. A análise é uma das etapas obrigatórias antes de qualquer oferta em larga escala.

A presença da liraglutida no pedido amplia o leque em discussão. Até agora, o debate sobre levar as canetas ao SUS girava sobretudo em torno da semaglutida.

O movimento vem na sequência de uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na semana passada afirmou que os remédios seriam fornecidos pelo sistema público, embora ainda faltassem etapas técnicas para isso. Hoje, o SUS não oferece esse tipo de tratamento de forma ampla. Existe apenas um projeto-piloto, iniciado em junho em Porto Alegre (RS), que acompanha cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou indicação de cirurgia bariátrica.

Preços em queda

Segundo o ministério, o cenário é diferente do que havia nas avaliações anteriores. A chegada de novas marcas ao mercado derrubou os preços em cerca de 70% em menos de um ano. A pasta informa que já há 25 canetas com registro no país, 14 delas aprovadas em 2026. Os dois princípios ativos do pedido, semaglutida e liraglutida, também não têm mais proteção de patente.

A redução pode mudar um dos principais entraves à oferta pública: o custo para o sistema. Estudos anteriores da Conitec projetavam impacto de bilhões de reais ao longo de cinco anos, a depender do número de pacientes incluídos e do tempo de tratamento.

O que ainda falta

Mesmo que a Conitec dê parecer favorável, o acesso dos pacientes dependerá de outras definições, como quem poderá receber os medicamentos, em que condições e com quais recursos o tratamento será financiado.

A discussão ocorre em meio ao avanço da obesidade no país. Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos com a doença passou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024.