Escândalo de gastos acima de R$ 5 milhões envolve procurador da Câmara de Kennedy; ele se diz poderoso

O procurador Leonardo Costa (à direita) ao lado de Lorenzo Pazzolini, decidem duz ser amigo
O procurador Leonardo Costa (à direita) ao lado de Lorenzo Pazzolini, decidem duz ser amigo

Por J Ribeiro

Um expressivo aumento nos gastos públicos da Câmara de Vereadores de Presidente Kennedy (ES), registrado desde janeiro de 2025 até agora colocou o atual procurador da Casa, Leonardo Costa da Silva, no centro de intensos debates políticos e pedidos de providência. O presidente do Legislativo estaria sob pressão e ameaça.

Dados a que o *Diário*teve acesso pelo portal de transparência fiscal revelam uma curva acentuada de despesas daquele Legislativo. Segundo números atribuídos ao anuário Finanças dos Municípios Capixabas, da Aequus Consultoria, as despesas passaram de aproximadamente R$ 3,3 milhões para R$ 5,7 milhões — crescimento informado de 75,1% em valores corrigidos pela inflação, diferença aproximada de R$ 2,4 milhões.

Entre os fatores apontados para o aumento estão a reestruturação física da Câmara, a ampliação de cargos comissionados, a criação de vagas de assessoria parlamentar e a regulamentação de diárias para vereadores e servidores. Embora tais medidas possam integrar o funcionamento regular de uma instituição legislativa, sua aprovação e execução exigem transparência, justificativas administrativas e observância dos limites legais.

Nesse cenário, surgem questionamentos sobre o papel de Leonardo Costa da Silva, identificado como procurador jurídico da Câmara Municipal, especialmente quanto à sua participação na análise e na orientação jurídica dos atos relacionados à expansão. O procurador foi o servidor da Casa que mais recebeu diárias em 2025 e 2026, conforme os registros abaixo.

2026

· R$ 8.753,40 — Brasília (18 a 21 de maio)
· R$ 1.215,75 — Vitória (14 a 16 de maio)
· R$ 8.753,40 — Brasília (1º a 7 de março)
· Total: R$ 18.722,55

2025

· R$ 1.897,50 — Serra (3 a 5 de julho)
· R$ 379,50 — Vitória (27 de junho)
· R$ 379,50 — Vitória (29 de abril)
· R$ 6.831,00 — Brasília (18 a 23 de maio)
· R$ 600,00 — Vitória (27 e 28 de janeiro)
· Total: R$ 10.087,50

Chama atenção também a ausência de pareceres em vários procedimentos legislativos. Até em projetos de lei enviados pelo Executivo, o procurador emite pareceres orais, em plenário, para obter destaque compatível ao de um vereador. Além disso, não se restringe à análise da regularidade do procedimento e da legalidade e constitucionalidade dos projetos: emite opiniões sociais e políticas e forma conclusões em argumentos desvinculados de uma atividade meramente jurídica. Em algumas ocasiões, ele próprio envia seus “discursos” a veículos de comunicação, em busca de maior destaque.

Clima de tensão e pressão

Enquanto os números da planilha fiscal crescem, nos corredores do Legislativo municipal o clima é de apreensão. Vereadores — que preferem o anonimato por receio de retaliações — relatam um cenário de intimidação constante. O alvo principal dessa pressão seria o próprio presidente da Câmara, o vereador Fabio Feliciano, que frequentemente enfrentaria barreiras políticas e constrangimentos na condução de suas pautas administrativas.

Fontes ligadas aos bastidores da política local afirmam que Leonardo Costa frequentemente se respalda em relações de suposta proximidade com figuras de peso estadual. O procurador costuma alardear uma suposta amizade íntima com Lorenzo Pazzolini, apontado por ele como o próximo governador do Espírito Santo. Sob esse argumento, daria a entender que exercerá forte influência direta na articulação e no resultado da próxima eleição para a Mesa Diretora e para a Presidência da Câmara de Presidente Kennedy.

Histórico sob suspeita

A postura adotada nos corredores do poder condiz com críticas severas ao passado profissional do procurador. Críticos e opositores não hesitam em rotulá-lo como um advogado de atuação questionável — termo popularmente conhecido como “advogado de porta de cadeia” —, acusando-o de práticas reprováveis.

Segundo denúncias anônimas colhidas pela reportagem, Leonardo Costa faria uso indevido do nome de terceiros — muitas vezes cidadãos que sequer sabem da existência do profissional, ou que têm seus dados utilizados sem consentimento — para obtenção de benefícios econômicos e vantagens em âmbitos judicial e administrativo. Para críticos ferrenhos da atual gestão, figuras com esse perfil exemplificam o tipo de aliança que gravita perigosamente ao redor de lideranças como Lorenzo Pazzolini, levantando alertas sobre a ética e a moralidade que deveriam pautar o candidato a governador.