A menos de duas semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta um cenário de forte rejeição popular. Levantamentos divulgados em outubro mostram que a desaprovação ao governo supera os 60% em diferentes institutos, enquanto a aprovação atingiu níveis historicamente baixos. O resultado acende um alerta para o Partido Republicano, que tenta manter a maioria nas duas Casas do Congresso.
De acordo com o agregador de pesquisas do estatístico e jornalista americano Nate Silver, 60,6% dos americanos desaprovam a gestão de Trump, enquanto 36,3% aprovam. Os dados compilados em 21 de outubro indicam que a aprovação chegou ao menor patamar de toda a série histórica da plataforma. A desaprovação, por sua vez, está entre os piores resultados registrados.
O levantamento também mostra que Trump passou a maior parte do atual mandato com mais avaliações negativas do que positivas. A situação foi diferente apenas nos primeiros 50 dias de governo, período em que a aprovação superou a rejeição.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apresentou números ainda mais desfavoráveis. Segundo o levantamento, 66% dos entrevistados desaprovam o governo, contra 31% que aprovam. Os dois índices estão entre os piores resultados registrados pela pesquisa durante os dois mandatos do republicano, com a aprovação no menor nível da série e a desaprovação repetindo sua máxima histórica.
Outros institutos identificaram uma tendência semelhante. Pesquisas do The New York Times/Siena e da Echelon Insights apontaram 60% de desaprovação. Já a Verasight/Strength in Numbers registrou 62%, enquanto o levantamento da CNN/SSRS chegou a 67%. A pesquisa da Fox News, realizada com a Beacon Research e a Shaw & Co. Research, indicou rejeição de 64%.
Economia e custo de vida pesam na avaliação
A insatisfação dos eleitores está relacionada principalmente à condução da economia e ao aumento do custo de vida. Medidas comerciais adotadas pelo governo, como a imposição de tarifas, e a escalada de conflitos internacionais também aparecem em meio às preocupações econômicas.
A guerra contra o Irã, por exemplo, contribuiu para a alta dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, pressionando a inflação e o orçamento das famílias. Nesse contexto, os indicadores de avaliação econômica de Trump são ainda mais negativos do que os números gerais de aprovação.
Segundo o agregador de Nate Silver, 72,8% dos americanos desaprovam a atuação do presidente no combate à inflação, enquanto 24,8% aprovam. Na avaliação da economia em geral, a desaprovação chega a 65,7%, diante de 31,6% de aprovação. Na política comercial, 62,7% rejeitam a atuação do governo, contra 32,8% que a aprovam.
A imigração, uma das principais bandeiras políticas de Trump, apresenta um quadro menos desfavorável ao presidente, mas ainda negativo. Nesse tema, 56,2% desaprovam sua atuação, enquanto 41,1% aprovam.
Os dados da Reuters/Ipsos também apontam saldos negativos em todas as áreas avaliadas. A diferença entre aprovação e desaprovação é de menos 20 pontos na imigração, menos 34 pontos na política internacional, menos 45 pontos na economia e menos 54 pontos no custo de vida. Na avaliação geral do governo, o saldo negativo é de 35 pontos.
Disputa pode mudar o equilíbrio no Congresso
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, estão marcadas para 3 de novembro. A votação renovará todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das vagas do Senado. Embora Trump não dispute um cargo, a avaliação de seu governo pode influenciar diretamente a escolha dos eleitores.
Atualmente, os republicanos têm maioria nas duas Casas. Uma vitória democrata em uma ou em ambas, porém, poderia dificultar a aprovação de propostas presidenciais e alterar a relação de forças em Washington. Pesquisas e projeções eleitorais indicam que os democratas têm chances de conquistar o controle do Congresso.
Diante desse cenário, Trump intensificou a participação em eventos políticos e tem percorrido o país para apoiar candidatos republicanos. Em um dos movimentos mais recentes, prometeu pagar um bônus de até US$ 5 mil a cada adulto americano caso seu partido vença as eleições.
O presidente também apoiou mudanças nos mapas eleitorais de alguns estados com o objetivo de favorecer os republicanos na disputa por assentos na Câmara. Além disso, adotou medidas para tentar restringir o voto pelo correio, modalidade que critica sob alegações de fraude. Eleitores democratas, segundo os dados citados no levantamento, são mais propensos a utilizar esse tipo de votação do que os republicanos.
Com a votação se aproximando, a rejeição ao governo, especialmente na área econômica, representa um desafio para os candidatos republicanos. O resultado das urnas mostrará até que ponto a avaliação de Trump poderá se transformar em perdas eleitorais para seu partido e limitar sua capacidade de avançar com a agenda presidencial.