Grupo dos sem religião cresce no Brasil e já deixa religiões tradicionais para trás

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O Censo 2022, divulgado pelo IBGE, mostrou que o número de brasileiros que se declaram sem religião aumentou de forma significativa nos últimos anos. Em 2010, eles representavam 7,9% da população. Em 2022, esse índice subiu para 9,3%.

Isso significa que mais de 19 milhões de pessoas no país dizem não seguir nenhuma religião. Esse grupo agora é maior que o número de adeptos do espiritismo (1,8%) e das religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda (1%).

Perfil do grupo sem religião

A pesquisa revelou um perfil bem definido: homens representam 56,2% do total, e pessoas pardas, 45,1%. A maior concentração de pessoas sem religião está no Sudeste, onde 10,5% da população afirmou não seguir nenhuma crença.

Além disso, três municípios brasileiros já têm mais pessoas sem religião do que com. São eles:

  • Chuí (RS): 37,8% da população

  • Pedro Osório (RS): 30,5%

  • Atalaia do Norte (AM): 26,2%

Os estados com as maiores proporções de pessoas sem religião são Roraima, com 16,9%, e o Rio de Janeiro, com índices muito próximos.

Religiões tradicionais ainda dominam

Apesar desse crescimento, o catolicismo segue como a maior religião do Brasil, com 56,7% da população. Em seguida, os evangélicos aparecem com 26,9%, o maior índice já registrado para o grupo.

Mesmo com essa maioria, a queda no número de católicos é evidente. Em 2010, o índice era de 64,6%. Em pouco mais de uma década, o Brasil teve a menor proporção de católicos da história.

Mudanças no mapa religioso

Enquanto o grupo dos sem religião cresce, outras crenças também registraram mudanças. O número de praticantes de umbanda e candomblé triplicou, embora ainda representem uma parcela pequena da população.

O espiritismo, por outro lado, caiu. Passou de 2% em 2010 para 1,8% em 2022.

Segundo especialistas, esses dados mostram uma transformação lenta, mas contínua, na relação dos brasileiros com a fé. O crescimento dos sem religião pode indicar uma busca maior por liberdade pessoal, questionamentos sobre instituições religiosas ou simplesmente uma mudança cultural no país.