Marina Silva defende integração entre combate à fome, pobreza e crise climática na COP30

Marina Silva || Crédito: MMA

Os desastres provocados por fenômenos climáticos extremos, como o tornado que devastou cidades do Paraná na última sexta-feira (7), serviram de ponto de partida para o discurso da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, durante evento realizado nesta segunda-feira (10) na COP30, em Belém (PA). Para ela, enfrentar simultaneamente a fome, a pobreza e a crise climática é o único caminho possível para garantir um futuro sustentável.

“As pessoas perdem suas fontes de renda e alimentação quando um desastre atinge suas comunidades. Enchentes, tufões e tornados destroem vidas e aumentam a vulnerabilidade social”, afirmou a ministra. “O enfrentamento das desigualdades e das mudanças climáticas precisa ser pensado de forma integrada, porque são problemas interdependentes.”

O encontro contou com a presença de autoridades de diferentes países e de outros integrantes do governo brasileiro, entre eles o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. Ele ressaltou a importância de ampliar as redes de proteção social e de reconhecer o papel dos povos tradicionais e da agricultura familiar no combate à fome e na preservação ambiental.

“Não há segurança alimentar nem resiliência climática sem aqueles que cuidam da terra, das águas e das sementes”, destacou Dias. “A agricultura familiar é responsável pela maior parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, enquanto os povos tradicionais mantêm vivas práticas de cultivo e preservação que garantem a biodiversidade.”

O evento também deu continuidade aos debates iniciados na Cúpula do Clima, em 7 de novembro, quando 43 países e a União Europeia aprovaram a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas. O documento propõe integrar políticas de proteção social, segurança alimentar e mitigação da crise climática, colocando a dignidade humana no centro das decisões globais.

A ministra da Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha, Reem Alabali Radovan, elogiou a liderança brasileira na formulação da declaração. Segundo ela, o texto “representa um passo pioneiro na articulação entre ação climática, proteção social e segurança alimentar”.

Radovan afirmou ainda que “a proteção do planeta e a proteção das pessoas devem caminhar juntas” e defendeu uma agricultura sustentável e um desenvolvimento rural inclusivo como estratégias essenciais para enfrentar os desafios do clima e garantir que ninguém seja deixado para trás.

Com a COP30 sediada na Amazônia, o Brasil reforça sua intenção de unir as agendas ambiental e social, defendendo que o combate à fome e à pobreza é também uma forma de proteger o planeta.