O Progressistas inicia o ano legislativo com uma prioridade definida: derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um projeto de regularização fundiária na faixa de fronteira. A pauta deve mobilizar a bancada do partido já nas primeiras semanas de trabalho no Congresso.
A legenda considera o tema estratégico, sobretudo para bases eleitorais ligadas ao agronegócio e ao interior do país. Por isso, a mobilização ganhou status de urgência.
Regularização fundiária como bandeira política
A senadora Tereza Cristina reafirmou publicamente a posição do partido. Para ela, o veto do governo foi injusto e prejudica milhares de pequenos produtores rurais.
Segundo a parlamentar, o projeto havia sido construído com amplo consenso no Parlamento. Ainda assim, o Executivo optou pelo veto, o que, na avaliação do PP, gera insegurança jurídica e trava o desenvolvimento do campo. A bancada aposta que conseguirá reverter a decisão em nova votação no Congresso.
Distanciamento do governo segue incompleto
O movimento ocorre em meio a um cenário de afastamento político entre o PP e o Planalto. Em setembro de 2025, a federação formada pelo Progressistas e pelo União Brasil oficializou a saída da base aliada no Congresso.
Na ocasião, os presidentes das duas legendas defenderam que seus filiados deixassem cargos no Executivo. A justificativa foi clara: preparar o terreno para um reposicionamento político com foco nas eleições e em um projeto de centro-direita.
Presença na Esplanada gera contradição
Na prática, porém, o desembarque não se concretizou por completo. O deputado federal licenciado André Fufuca segue no comando do Ministério do Esporte, mesmo após a orientação partidária.
Embora o PP tenha afastado Fufuca de cargos internos da sigla, como a vice-presidência nacional, ele permaneceu tanto no governo quanto no partido. Além disso, outros filiados ainda ocupam postos estratégicos na administração federal.
Dupla estratégia marca início do ano político
Assim, o PP adota uma postura de dupla atuação. De um lado, intensifica o discurso de oposição no Congresso, especialmente em pautas caras ao seu eleitorado. De outro, mantém presença institucional no Executivo.
Esse equilíbrio delicado revela os desafios do reposicionamento da legenda. Ao mesmo tempo em que busca afirmar independência em relação ao governo Lula, o partido evita um rompimento total, sinalizando que a disputa política seguirá marcada por pragmatismo e negociação.