A autoridade eleitoral do Peru oficializou nesta sexta-feira (3) a eleição de Keiko Fujimori para a Presidência da República, encerrando semanas de expectativa após uma disputa marcada pelo equilíbrio entre os dois candidatos. Com a proclamação do resultado, a líder do partido Fuerza Popular está confirmada como a próxima chefe de Estado do país.
A diferença entre os concorrentes foi apertada e refletiu o cenário de forte polarização vivido pelos peruanos. Keiko conquistou pouco mais de 50% dos votos válidos e superou o candidato de esquerda Roberto Sánchez por uma margem inferior a 50 mil votos, resultado consolidado após a contagem dos votos de eleitores residentes no exterior.
Durante o processo de validação, a Justiça Eleitoral analisou recursos apresentados pela oposição, incluindo pedidos de anulação de votos registrados fora do território peruano. As solicitações foram rejeitadas, permitindo a homologação definitiva do resultado.
Mesmo após a proclamação oficial, Roberto Sánchez afirmou que continuará contestando o desfecho da eleição por meio de mecanismos judiciais internacionais. O candidato também voltou a questionar a condução do processo eleitoral e manteve o discurso de que houve irregularidades durante a apuração.
Em pronunciamentos realizados após a consolidação da vantagem na contagem dos votos, Keiko Fujimori adotou um tom conciliador e reconheceu o ambiente de divisão política no país. A presidente eleita afirmou que pretende trabalhar pela reconstrução do diálogo entre diferentes setores da sociedade e reduzir a polarização que marcou a campanha.
A posse está prevista para 28 de julho, quando terá início um mandato de cinco anos. A nova gestão encontrará um cenário desafiador, com aumento da criminalidade, dificuldades econômicas e um Congresso fragmentado, fatores que podem exigir amplas negociações para viabilizar projetos do Executivo.
A chegada de Keiko ao Palácio do Governo ocorre após um longo período de instabilidade institucional no Peru. Nos últimos anos, o país enfrentou sucessivas trocas de presidentes, processos de impeachment, renúncias e governos interinos, cenário que ampliou a crise política e afetou a confiança da população nas instituições.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko retorna ao centro da política peruana após disputar diversas eleições presidenciais. Desta vez, ela assume o comando do país com a missão de enfrentar uma conjuntura considerada uma das mais delicadas da história recente do Peru.