O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16) que cabe ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, garantir que a crise que atravessa a Corte não comprometa o andamento do processo eleitoral, que tem o primeiro turno marcado para daqui a 18 dias. As declarações foram dadas em entrevista ao podcast Desce a Letra Show, um dia depois de uma sessão tensa no STF sobre a eventual abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Para o presidente, o país não pode continuar acompanhando denúncias diárias sem que haja uma conclusão efetiva das apurações. Ele defendeu que os casos sejam investigados a fundo, reforçando que ninguém está isento de responder pela Justiça, nem mesmo integrantes do próprio Judiciário.
O julgamento que discutia a situação de Moraes foi suspenso na terça-feira (15) depois de um pedido de vista do ministro Flávio Dino, antes que a Corte avançasse para o mérito da questão. Ao comentar o episódio, Lula classificou como inadequado o embate público exibido durante a sessão e disse que esse tipo de confronto prejudica a imagem da instituição.
Apesar das críticas ao momento vivido pelo tribunal, o presidente reafirmou sua confiança no STF e destacou que decisões da Corte precisam ser respeitadas por todos. Segundo ele, é fundamental assegurar o direito à ampla defesa e à presunção de inocência para os envolvidos, sem abrir mão da necessidade de apuração rigorosa dos fatos.
Lula também voltou a manifestar apoio a Alexandre de Moraes, atribuindo ao ministro um papel relevante na proteção da democracia brasileira após o pleito de 2022. O presidente relacionou os ataques recentes ao magistrado às decisões que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros investigados por tentativa de golpe de Estado.
A fala desta quarta reforça um posicionamento que Lula já vinha adotando. No último dia 10, ele havia dito estar satisfeito com as medidas tomadas por Fachin para conter a crise institucional, pedindo, na ocasião, que o presidente da Corte fosse além para restaurar a credibilidade do tribunal.
Reforma do Judiciário volta ao debate
O petista aproveitou a entrevista para defender novamente uma reforma no sistema de Justiça brasileiro, afirmando que o momento atual torna essa discussão inevitável. Ele mencionou queixas recorrentes sobre o funcionamento do Judiciário e reconheceu que a imagem da instituição está desgastada perante a opinião pública.
Segundo Lula, as mudanças não devem se limitar ao Judiciário, mas alcançar também o sistema político como um todo, que classificou como deteriorado no cenário nacional.
O presidente encerrou suas declarações dizendo se sentir indignado com a crise institucional, mas afirmou acreditar que uma solução será encontrada, com a devida apuração e eventual punição dos responsáveis. As falas ocorrem em meio ao avanço das investigações sobre o caso do Banco Master, que envolve suspeitas de proximidade entre o empresário Daniel Vorcaro e ministros da Corte.