O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (7) que, se vencer o segundo turno, pretende aproveitar o fôlego de um presidente recém-eleito para tentar aprovar uma proposta de emenda à Constituição que acabe com a reeleição. Ele também repetiu que não vai concorrer a um novo mandato em 2030.
“Eu vou usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar essa PEC, para redemocratizar o nosso país nesse sentido. É para dar o exemplo”, declarou.
Flávio disse que os detalhes da mudança ficariam nas mãos dos parlamentares. Segundo ele, o Congresso é quem vai discutir se os mandatos terão quatro ou cinco anos e se a regra valerá apenas para presidente ou também para governadores. A decisão, afirmou, seguirá o processo legislativo e será tomada pela maioria. Independentemente do desfecho, o candidato reforçou que assumiu o compromisso de não buscar a reeleição. “Não estou disputando o poder. Eu estou disputando o futuro do meu país”, disse.
O tema tem efeito direto sobre o cenário da direita para 2030. Sem Flávio na disputa, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apareceria como um dos nomes com caminho aberto ao Planalto. Reeleito no domingo (4) com 62,65% dos votos válidos, Tarcísio declarou que agora se dedicará à campanha de Flávio no segundo turno. O Republicanos já discutia, antes da eleição, um projeto presidencial para o governador, e em julho integrantes do partido o apontavam como candidato natural da legenda.
A conversa sobre o fim da reeleição entre os dois não é nova. Em agosto, a campanha de Flávio procurou Tarcísio para propor um pacto nesse sentido, segundo apuração publicada na ocasião, num momento em que buscava o engajamento do governador. Flávio negou depois que tivesse havido um acordo. Na mesma época, ao lado de Tarcísio, disse que pretendia entrar para a história “nem que seja como presidente de transição”. O governador, por sua vez, afirmou acreditar que Flávio honraria o compromisso. Questionado sobre 2030, Tarcísio disse que ainda não era hora de tratar do assunto e que seu foco estava na eleição estadual.
Uma eventual vitória de Flávio também mexeria com as perspectivas eleitorais de sua família. A Constituição prevê a inelegibilidade reflexa, que impede a candidatura, dentro da área de jurisdição do titular, de cônjuge e de parentes até segundo grau do presidente. Essa regra precisaria ser considerada numa eventual sucessão por integrantes do clã. Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio e mulher de Jair Bolsonaro, não tem parentesco consanguíneo com o candidato. Eleita senadora pelo Distrito Federal no domingo, ela já aparece nas articulações sobre o futuro do bolsonarismo em 2030.