PF intima Flávio Bolsonaro a entregar passaportes por decisão de Moraes

Senador afirma que medida também o impede de deixar o país e diz que decisão levou em conta declaração feita por Eduardo Bolsonaro antes da eleição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (26) que recebeu uma intimação da Polícia Federal para entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o parlamentar, a ordem também impede sua saída do Brasil.

A medida ocorre um dia depois do segundo turno da eleição presidencial. Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio relatou que recebeu a intimação ao deixar a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. O senador afirmou ainda que a decisão teria levado em consideração uma declaração de Eduardo Bolsonaro feita antes da votação.

Na última sexta-feira (23), Eduardo declarou durante entrevista a um programa norte-americano que defendia que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado nas urnas. A fala ocorreu dois dias antes da definição do segundo turno.

Flávio negou ter considerado deixar o país e criticou a medida judicial. Também afirmou que cumpriria a determinação e apresentaria sua defesa.

Investigações no Supremo

O senador aparece como investigado em procedimentos que tramitam no STF. Um deles está sob relatoria de Alexandre de Moraes e envolve apurações conduzidas pela Polícia Federal. O processo público do Supremo registra Flávio Bolsonaro como investigado em inquérito distribuído ao ministro em abril de 2026.

Uma das frentes de investigação envolve a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz, alvo de apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de apostas.

Na sexta-feira (23), Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores ligados ao advogado. A decisão também incluiu quebra de sigilos bancário, fiscal e cambial e outras restrições.

Documentos citados em reportagens apontam ainda que Flávio apareceu como “usuário master” de uma conta empresarial da Alcazar Holdings, companhia vinculada a Willer. A empresa, por sua vez, afirma que o senador nunca foi sócio, administrador ou beneficiário da holding. Flávio também nega manter relações comerciais com o advogado.

Caso Dark Horse

Outra investigação está relacionada ao financiamento de “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

O inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura recursos destinados ao projeto e a participação de Flávio nas tratativas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A abertura da investigação foi autorizada em julho após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.

Relatórios da PF apontaram que Flávio participou de conversas para buscar recursos para o longa. O senador reconhece ter procurado financiamento privado para o filme, mas nega qualquer irregularidade ou recebimento de vantagem indevida.

As investigações permanecem em andamento e, até o momento, não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal do parlamentar nos casos apurados.

 

Fonte: O Globo