Petrobras bate recorde de produção de petróleo e gás em meio à crise energética global

Estatal registra alta de quase 12% no terceiro trimestre de 2026, enquanto refinarias operam a 99% da capacidade e guerra no Irã pressiona os preços internacionais

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras alcançou um novo recorde de produção de petróleo e gás natural no terceiro trimestre de 2026. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (28), em um momento de instabilidade no mercado internacional de energia, provocado pelos impactos da guerra no Irã sobre os preços do petróleo e dos combustíveis.

Segundo o relatório operacional da estatal, a produção média chegou a 3,51 milhões de barris de óleo equivalente por dia entre julho e setembro. O volume representa um crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025. Além disso, houve avanço de 5,3% na comparação com o segundo trimestre deste ano.

O desempenho reforça a capacidade produtiva da companhia em um cenário de pressão sobre o abastecimento e os custos da energia no mercado global.

Novas plataformas impulsionam produção no pré-sal

O aumento da produção está relacionado, principalmente, à ampliação das operações em campos de águas profundas.

Entre os destaques estão as plataformas P-78 e P-79, localizadas no campo de Búzios, na Bacia de Santos. As unidades contribuíram para elevar o volume de petróleo extraído durante o trimestre.

Além disso, a plataforma Alexandre de Gusmão atingiu seu nível máximo de produção no campo de Mero, outro importante projeto do pré-sal brasileiro.

A Petrobras também registrou maior eficiência operacional e redução das perdas provocadas por interrupções para manutenção. Dessa forma, conseguiu ampliar a produção sem depender exclusivamente da entrada de novas estruturas.

Considerando apenas o petróleo produzido no Brasil, a companhia alcançou aproximadamente 2,83 milhões de barris por dia, superando as expectativas estabelecidas para o período.

Refinarias operam próximas da capacidade máxima

O desempenho positivo também chegou ao setor de refino. Durante o terceiro trimestre, as refinarias da Petrobras trabalharam com uma taxa média de utilização de 99% da capacidade.

Com isso, a estatal ampliou a oferta de derivados e atingiu um recorde trimestral na produção de diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e para diferentes atividades econômicas.

A produção de diesel alcançou 769 mil barris por dia. Já as vendas de derivados no mercado brasileiro somaram 1,85 milhão de barris diários, o maior volume desde o terceiro trimestre de 2021.

A elevada utilização das refinarias contribui para atender à demanda interna em um período de oscilações nos preços internacionais.

Guerra no Irã aumenta pressão sobre os combustíveis

Apesar dos recordes operacionais, a Petrobras enfrenta desafios relacionados à valorização do petróleo no mercado externo.

A guerra no Irã provocou perturbações no comércio internacional de energia e aumentou a preocupação com a oferta global. Nesse cenário, o barril do Brent passou a ser negociado acima de US$ 110, segundo informações divulgadas pela Bloomberg.

O avanço das cotações amplia a diferença entre os preços praticados pela Petrobras nas refinarias brasileiras e os valores internacionais de referência.

De acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), divulgado na quarta-feira (28), o diesel vendido pela estatal apresentava uma defasagem de R$ 3,76 por litro em relação à paridade de importação.

A diferença correspondia a 115%, segundo a entidade. Já a gasolina estava 24% abaixo dos preços internacionais.

Esses números aumentam a pressão do mercado por possíveis reajustes nos combustíveis.

Produção elevada fortalece posição da Petrobras

O crescimento operacional ocorre enquanto o governo brasileiro utiliza medidas tributárias e subsídios para tentar reduzir os impactos da alta dos combustíveis sobre os consumidores.

Nesse cenário, a ampliação da produção nacional e o funcionamento das refinarias em níveis elevados ajudam a reduzir parte da exposição do país às oscilações do mercado internacional.

Para o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, o volume de petróleo extraído no terceiro trimestre coloca a Petrobras acima do ritmo previsto para cumprir sua meta de produção em 2026.

Além disso, o desempenho estabelece uma base mais elevada para as operações de 2027.

Entretanto, a diferença entre os preços domésticos e internacionais continua sendo um ponto de atenção para a companhia. A evolução da guerra no Irã e das cotações do petróleo poderá influenciar as próximas decisões sobre combustíveis no mercado brasileiro.

Fontes: Bloomberg Línea