Banco Central eleva projeção de crescimento da economia para 2% em 2026

Relatório aponta avanço maior da atividade econômica, enquanto projeções indicam preços acima da meta até 2027

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O Banco Central revisou para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026 e passou a estimar expansão de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção anterior indicava avanço de 1,6%. A atualização consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira e reflete um desempenho acima do esperado no início do ano, além de perspectivas mais favoráveis para segmentos ligados à produção agropecuária e à indústria extrativa.

A atividade econômica registrou crescimento de 1,1% no primeiro trimestre em comparação com os últimos três meses de 2025, resultado impulsionado pelo avanço simultâneo dos setores de serviços, indústria e agropecuária. Segundo a autoridade monetária, o cenário também incorpora expectativa de maior dinamismo do consumo das famílias, ampliação dos investimentos privados e estímulos relacionados a programas de crédito e medidas fiscais.

Apesar da melhora na atividade, o Banco Central avalia que o ambiente inflacionário continua exigindo cautela. A instituição projeta que os índices de preços permaneçam pressionados ao longo deste ano e avancem além do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional por um período prolongado, iniciando trajetória de desaceleração apenas a partir de 2027.

Entre os fatores que sustentam as estimativas mais elevadas para a inflação estão a valorização das commodities no mercado internacional, especialmente petróleo e alimentos, além da persistência das expectativas inflacionárias em níveis superiores aos desejados. O cenário externo, marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, também é apontado como elemento adicional de incerteza.

A taxa básica de juros continua desempenhando papel central na estratégia de contenção dos preços. Após sucessivas reduções iniciadas neste ano, a Selic foi fixada em 14,25% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária. Mesmo com o movimento de flexibilização, o Banco Central ressalta que os efeitos das decisões monetárias ocorrem de forma gradual e ainda influenciarão a economia nos próximos meses.

No mercado de crédito, a projeção de crescimento do saldo total das operações permaneceu em 9% para 2026. A expectativa é de expansão mais intensa das linhas com recursos direcionados pelo governo, enquanto o crédito livre tende a avançar em ritmo moderado, refletindo o ambiente de juros ainda elevados e o comprometimento da renda das famílias.

O relatório também trouxe revisão para as contas externas. A previsão de déficit em transações correntes foi reduzida, impulsionada pela expectativa de receitas maiores com exportações agrícolas, carnes e petróleo. O Banco Central avalia que o desequilíbrio deverá continuar sendo financiado por investimentos estrangeiros de longo prazo, embora reconheça que a volatilidade internacional pode alterar parte das projeções ao longo do ano.