Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor e pressiona exportações brasileiras

Medida alcança cerca de um quinto das vendas do Brasil ao mercado norte-americano e afeta principalmente setores industriais

Foto: Marcello Casal Jr

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira, 22 de julho. A medida alcança cerca de um quinto das exportações nacionais destinadas ao mercado norte-americano e amplia a pressão sobre setores importantes da indústria brasileira.

As estimativas sobre o valor atingido variam conforme a metodologia adotada. A ApexBrasil calcula que aproximadamente US$ 7,2 bilhões em exportações estão sujeitos à nova cobrança. A agência também informa que 699 produtos ficaram fora da sobretaxa, número superior às 615 exceções previstas inicialmente.

Entre os segmentos mais expostos estão os de máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, autopeças e calçados. Para muitos desses setores, os Estados Unidos representam um destino relevante e, em alguns casos, concentram uma parcela significativa das vendas realizadas ao exterior.

São Paulo e Santa Catarina estão entre os mais afetados

Os efeitos da tarifa não se distribuem de maneira uniforme pelo país. São Paulo e Santa Catarina concentram parte expressiva das exportações atingidas, devido à forte presença de indústrias que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos.

São Paulo reúne o maior valor absoluto de mercadorias afetadas. Já Santa Catarina enfrenta uma situação particularmente sensível porque uma parcela elevada de suas exportações para o mercado norte-americano está incluída na nova cobrança.

Na prática, a tarifa aumenta o custo de entrada das mercadorias brasileiras nos Estados Unidos. O impacto para cada empresa dependerá de fatores como margem de lucro, contratos já firmados, capacidade de negociar preços com os importadores e possibilidade de direcionar a produção para outros mercados.

O que motivou a decisão dos Estados Unidos

A taxação resulta de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O órgão afirma ter identificado práticas brasileiras consideradas prejudiciais ou restritivas ao comércio dos Estados Unidos. Entre os temas analisados estão serviços digitais e meios eletrônicos de pagamento, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e acordos comerciais preferenciais firmados pelo Brasil.

O governo brasileiro contesta essas alegações. Em manifestações apresentadas durante as negociações, o país argumentou que determinadas políticas questionadas pelos Estados Unidos respeitam as normas internacionais e afirmou que a abertura comercial exigida pelos norte-americanos não apresentava contrapartidas equivalentes.

Brasil busca novos destinos para as exportações

Como resposta, o governo brasileiro prepara medidas de apoio às empresas e aos setores mais afetados. Entre as iniciativas avaliadas estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de mecanismos para facilitar o redirecionamento de mercadorias a outros países.

O governo também analisa mudanças temporárias nas regras do drawback, regime que permite a suspensão, a isenção ou a restituição de tributos cobrados sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.

A ApexBrasil anunciou ainda um plano de R$ 130 milhões para ampliar a presença de empresas brasileiras em novos mercados. A estratégia deverá priorizar a União Europeia, países do Sudeste Asiático e nações da Ásia Central. Segundo a agência, 72% das empresas exportadoras apoiadas que negociavam com os Estados Unidos também passaram a vender para pelo menos mais um mercado entre junho de 2025 e maio de 2026.

Embora a tarifa já esteja em vigor, as negociações entre os dois países podem continuar. A diversificação de destinos, no entanto, ganhou caráter estratégico diante do risco de perda de competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.

Fonte: Agência Brasil