Há 38 dias, as investigações dos casos Banco Master e INSS estão paradas no Supremo Tribunal Federal. O impasse começou em 12 de setembro, quando o presidente da Corte, Edson Fachin, mandou enviar os processos ao seu gabinete sem retirar formalmente a relatoria do ministro André Mendonça. Estão afetadas a Operação Compliance Zero, que apura o caso Master, e a Operação Sem Desconto, sobre o INSS. Desde então, nenhuma decisão foi tomada, segundo apuração do analista de Política da CNN Matheus Teixeira, no CNN 360°.
Em 25 de setembro, Mendonça enviou ofício a Fachin para saber se ainda podia despachar nos casos ou se o poder havia passado à Presidência. Fachin encaminhou o documento à PGR, que respondeu que a decisão da Presidência continua valendo e que ordens judiciais nos dois inquéritos devem partir dela. Mesmo assim, Fachin não decidiu, e Mendonça segue sem atuar.
Na prática, advogados dizem não conseguir resposta a pedidos de habeas corpus, nem mesmo negativas. Investigadores relatam, nos bastidores, que as apurações andam mais devagar. O quadro é agravado por um pedido de vista de Flávio Dino e pelo fato de outros ministros eventualmente implicados ainda não terem sido julgados.
A paralisação ocorreu pouco antes do julgamento de 15 de setembro sobre abrir ou não investigação contra Alexandre de Moraes, que acusava Mendonça de conduzir os inquéritos de forma política, para beneficiar o grupo de Flávio Bolsonaro (PL) e prejudicar o de Lula (PT). A PGR se opôs à investigação contra Mendonça, por não ver nada desabonador. A tendência é que ele retome a relatoria, mas falta decisão final.