A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira, 22 de julho. A medida alcança cerca de um quinto das exportações nacionais destinadas ao mercado norte-americano e amplia a pressão sobre setores importantes da indústria brasileira.
As estimativas sobre o valor atingido variam conforme a metodologia adotada. A ApexBrasil calcula que aproximadamente US$ 7,2 bilhões em exportações estão sujeitos à nova cobrança. A agência também informa que 699 produtos ficaram fora da sobretaxa, número superior às 615 exceções previstas inicialmente.
Entre os segmentos mais expostos estão os de máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, autopeças e calçados. Para muitos desses setores, os Estados Unidos representam um destino relevante e, em alguns casos, concentram uma parcela significativa das vendas realizadas ao exterior.
São Paulo e Santa Catarina estão entre os mais afetados
Os efeitos da tarifa não se distribuem de maneira uniforme pelo país. São Paulo e Santa Catarina concentram parte expressiva das exportações atingidas, devido à forte presença de indústrias que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos.
São Paulo reúne o maior valor absoluto de mercadorias afetadas. Já Santa Catarina enfrenta uma situação particularmente sensível porque uma parcela elevada de suas exportações para o mercado norte-americano está incluída na nova cobrança.
Na prática, a tarifa aumenta o custo de entrada das mercadorias brasileiras nos Estados Unidos. O impacto para cada empresa dependerá de fatores como margem de lucro, contratos já firmados, capacidade de negociar preços com os importadores e possibilidade de direcionar a produção para outros mercados.
O que motivou a decisão dos Estados Unidos
A taxação resulta de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
O órgão afirma ter identificado práticas brasileiras consideradas prejudiciais ou restritivas ao comércio dos Estados Unidos. Entre os temas analisados estão serviços digitais e meios eletrônicos de pagamento, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e acordos comerciais preferenciais firmados pelo Brasil.
O governo brasileiro contesta essas alegações. Em manifestações apresentadas durante as negociações, o país argumentou que determinadas políticas questionadas pelos Estados Unidos respeitam as normas internacionais e afirmou que a abertura comercial exigida pelos norte-americanos não apresentava contrapartidas equivalentes.
Brasil busca novos destinos para as exportações
Como resposta, o governo brasileiro prepara medidas de apoio às empresas e aos setores mais afetados. Entre as iniciativas avaliadas estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de mecanismos para facilitar o redirecionamento de mercadorias a outros países.
O governo também analisa mudanças temporárias nas regras do drawback, regime que permite a suspensão, a isenção ou a restituição de tributos cobrados sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.
A ApexBrasil anunciou ainda um plano de R$ 130 milhões para ampliar a presença de empresas brasileiras em novos mercados. A estratégia deverá priorizar a União Europeia, países do Sudeste Asiático e nações da Ásia Central. Segundo a agência, 72% das empresas exportadoras apoiadas que negociavam com os Estados Unidos também passaram a vender para pelo menos mais um mercado entre junho de 2025 e maio de 2026.
Embora a tarifa já esteja em vigor, as negociações entre os dois países podem continuar. A diversificação de destinos, no entanto, ganhou caráter estratégico diante do risco de perda de competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Fonte: Agência Brasil