A Agência Nacional de Vigilância Sanitária identificou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos da marca Ypê durante uma inspeção realizada na unidade da Química Amparo, no interior de São Paulo. A fiscalização, conduzida em parceria com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária, também encontrou 76 irregularidades em diferentes etapas do processo de fabricação.
Segundo a Anvisa, os problemas vão desde falhas no controle microbiológico até inconsistências em sistemas de qualidade e armazenamento de embalagens. As conclusões embasaram a decisão que determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes específicos de detergentes, desinfetantes e sabões líquidos da marca.
A bactéria detectada é considerada comum em ambientes úmidos e, na maioria dos casos, apresenta baixo risco para pessoas saudáveis. No entanto, pode representar ameaça para pacientes imunossuprimidos, idosos fragilizados, pessoas com feridas abertas e indivíduos em tratamento médico que comprometa o sistema imunológico.
A confirmação da presença do microrganismo em produtos acabados marca um novo capítulo no caso. Até então, apenas a fabricante havia informado a detecção da bactéria em parte de sua produção, ainda em 2025. Agora, a própria Anvisa confirmou o resultado após análise técnica realizada durante a inspeção de abril.
O processo administrativo envolvendo a fabricante segue em andamento. A Diretoria Colegiada da agência deve retomar nesta sexta-feira a análise do recurso apresentado pela Química Amparo contra a resolução que determinou o recolhimento dos produtos e a paralisação das linhas afetadas.
Enquanto isso, a empresa afirma ter iniciado uma série de medidas corretivas. De acordo com a Anvisa, representantes da fabricante participaram de reuniões técnicas em Brasília e apresentaram um plano com centenas de ações voltadas à adequação das instalações e dos protocolos de produção.
A agência informou ainda que recebeu milhares de contatos de consumidores nos últimos dias, incluindo dúvidas sobre os lotes atingidos e reclamações relacionadas ao atendimento da empresa. Também houve denúncias sobre a continuidade da venda de itens incluídos na determinação sanitária.
Mesmo com o recurso em análise, a recomendação oficial permanece a mesma: consumidores não devem utilizar os produtos pertencentes aos lotes identificados pela resolução publicada pela Anvisa.