A Hermès encerrou o terceiro trimestre com sinais de desaceleração em seu principal mercado. Na região da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, as vendas ficaram estáveis em taxas de câmbio constantes, resultado abaixo do avanço de 1,55% esperado por analistas.
A região responde por cerca de 42% da receita total da companhia e inclui a China, mercado que continua enfrentando um ambiente econômico desfavorável. A crise imobiliária, o desempenho mais fraco dos mercados financeiros e mudanças recentes na tributação de patrimônios mantidos no exterior têm afetado especialmente os consumidores de maior renda.
No conjunto das operações, a Hermès registrou crescimento de 4,3% nas vendas no trimestre, também abaixo das projeções do mercado.
A reação dos investidores foi imediata. As ações da companhia chegaram a cair 7% no início das negociações em Paris e acumulam perda próxima de 40% em 2026. Caso o desempenho se mantenha, este poderá ser o pior ano para os papéis desde a abertura de capital da empresa, em 1993.
China continua no centro das preocupações
O desempenho da Hermès reforça uma tendência que já aparece entre outros grandes grupos do setor. Na semana anterior, a LVMH também apresentou vendas consideradas decepcionantes, com impacto relevante de seus negócios na China.
No caso da Hermès, o desafio ganha peso por envolver justamente uma marca conhecida por manter níveis elevados de exclusividade e demanda por produtos como as bolsas Birkin e Kelly.
Analistas vêm acompanhando ainda o aumento da disponibilidade desses modelos, tanto nas próprias lojas quanto no mercado de segunda mão. O movimento levanta dúvidas sobre a capacidade da empresa de preservar a percepção de escassez que tradicionalmente sustenta parte do valor de seus produtos mais desejados.
Instabilidade na França também entra no radar
Além das dificuldades na Ásia, a Hermès passou a lidar com consequências recentes de distúrbios registrados na França.
A loja da marca em Marselha foi saqueada e não deve reabrir no curto prazo. Unidades em Nantes, Lyon e na avenida George V, em Paris, também tiveram vitrines danificadas durante manifestações.
Desde então, a companhia reforçou as medidas de segurança. Ainda assim, a empresa considera cedo para estimar se os episódios poderão afetar o fluxo de turistas estrangeiros nas próximas semanas.
O trimestre mostra que até marcas posicionadas no topo do mercado de luxo permanecem expostas às mudanças no cenário econômico. Para a Hermès, a desaceleração chinesa e a pressão sobre o consumo de alta renda passam a ocupar um espaço maior nas expectativas para os próximos períodos.
Fonte: Bloomberg